Gisela era um pouco gordinha e por isso muito insegura nos seus relacionamentos amorosos. Ficamos amigas e, em várias oportunidades, consolei Gisela nas suas decepções com namorados.
Ela chegou no resort com a clara intenção de "pegar" um ou mais homens e logo foi combinando comigo que se caso uma das duas quisesse levar alguém para o quarto, bastaria passar o trinco na porta (as portas não tinham chaves naquele tempo) para a outra entender que deveria procurar algum lugar alternativo para dormir enquanto a outra estivesse se "divertindo" no quarto.
Fiquei um pouco preocupada de ter que ficar sem ter onde dormir, mas..... concordei com a proposta.
Gisela era muito mais animada e preferia ficar até mais tarde curtindo a noite. Depois do show diário protagonizado pelos GO's no anfiteatro, ela ficava até bem mais tarde na boate que ficava do outro lado do coqueiral.
Chegando sozinha no quarto, dormi sem ver Gisela chegar. No dia seguinte, vi que sua cama permanecia perfeitamente arrumada. Assim, imaginei que ela havia dormido no quarto de algum gato, hóspede ou GO. Ela já tinha dito estar muito interessada num carioca louro bonitão e que queria ficar com ele. Assim, feliz pelo sucesso dela, me arrumei para mais um dia de sol e lazer. Quando eu estava a caminho das varandas onde o café da manhã e servido, encontrei com Gisela. Olhei para ela sorrindo maliciosamente e dizendo: "Bom dia! E aí? Como foi a noite?". Ela me respondeu com o mesmo ar sacana e fazendo um pergunta de mesmo teor para mim. Eu falei que havia dormido sozinha no quarto e perguntei onde ela tinha dormido. Ela contou que, ao chegar no quarto e encontrar a porta trancada por dentro, imaginou que eu tinha usado da prerrogativa de ficar com o quarto quando estivesse acompanhada. Eu falei que nem havia me dado conta de que tinha trancado o quarto, que certamente agi no "piloto automático" ao virar o trinco.
Ela acabou tendo que dormir de favor no quarto de dois rapazes, um deles o bonitão que ela estava a fim, mas sem ter tido a "sorte" de dividir a cama com ele e acabou dormindo no tapetinho. kkkkkkk Tadinha!! Foi mal, mas..... a ideia partiu dela mesma.
Foi uma semana maravilhosa! Muita festa, muita gente bonita, muito sol, mar e boa comida. Tentei aprender windsurf, participei de torneio de vela na categoria "optimist" (só acompanhei o bonitão carioca que sabia velejar), ganhei a prova de natação, participei do show feito com a participação dos hóspedes (GM's), ri muito, dancei muito, fiz muito exercício físico, beijei muito..... Ehhhhhhh coisa boa!!


O fato chato dessas férias no Club Med foi num dia em que Gisela se atrasou para a aula de “squash” e pediu que eu preparasse um sanduíche para ela comer depois da aula já que não teria tempo para tomar café da manhã.
Quando cheguei ao restaurante, fui encaminhada para a última mesa da varanda (lá a gente é meio que obrigada a sentar conforme indicação de um GO - Gentil Organizador). Eu estava com pressa porque tinha marcado aula de windsurf (o professor, Ricardo Waquil, era um gato!) Peguei o que precisava para arrumar o sanduíche da Gisela, deixei na mesa e fui buscar o meu café. Quando retornei à mesa, havia um rapaz sentado no lugar que eu havia reservado e que já estava com as coisas que havia deixado anteriormente. Não vi que havia um outro lugar disponível naquela mesa e pensei que a solução seria ter que sentar à mesa do outro corredor, que não era muito perto dali. Fiquei irritada porque teria de tornar a dar duas viagens. Acho que eu devia estar na TPM porque bateu um mau humor! Fui antipática o suficiente para reclamar e ocupar o outro lugar vago na mesma mesa que pensei já estar ocupado. Sentei com a cara amarrada dizendo que já que meu lugar tinha sido ocupado eu sentaria ali mesmo. Azar de quem tinha se levantado.
Educadamente, o amigo do rapaz que sentou-se na cadeira que eu havia reservado explicou que ele era grego, por isso não havia entendido o que eu falei e por isso não percebeu que havia sentado no meu lugar. Pediu desculpas. Eu ouvi, assenti com a cabeça, disse um “tudo bem” apressado e seco,comi rapidamente e saí sem falar mais nada.
No mesmo dia, vendo os dois rapazes na piscina, percebi que havia sido muito grossa e que os dois eram lindos! Fiquei arrependida e envergonhada com meu comportamento e tentei limpar minha barra. Juntamente com Gisela, nos aproximamos deles. Não posso dizes que ficamos amigos, mas passamos a conversar quando nos encontrávamos. O brasileiro era um paulista de nome Rodrigo, enquanto que o grego chamava-se Izos.
De Salvador eles foram para o Rio e acabei oferecendo carona para eles no carro do meu pai quando desembarcamos no Galeão.
Trocamos nossos telefones e no cartão do Rodrigo eu vi seu sobrenome, que era incomum. Ele havia comentado que jogava tênis no Clube Harmonia – um lugar chiquésimo de São Paulo.
Tempos depois Rodrigo esteve no Rio e me procurou. Saímos e conversamos. Ele me levou até o apartamento de sua família no Leblon. Ele me tratou com a maior educação e não encostou a mão em mim, sequer tentou me beijar, embora essa idéia me fosse bastante agradável. Voltei para casa e nunca mais vi esse rapaz.
Muito tempo depois, aliás, anos depois, descobri que ele era “apenas” filho do dono de uma das maiores indústrias do Brasil. Um cara simples, lindo, educadíssimo a quem eu tratei tão mal por nada, era de uma das famílias mais ricas de São Paulo. Se arrependimento matasse....







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