Seguimos para Florença onde visitamos a Catedral Duomo, a Ponte Vecchia e a obra David de Michelangelo; depois, chegamos à Roma.
Em Roma, ficamos num hotel mixuruca localizado bem próximo da Via Fratina. O hotel era tão simplório que ao perguntarmos para o recepcionista qual era o preço da diária ele quis saber se a diária era com banho ou sem banho. E o danado do banho era caro! Como íamos ficar por quatro dias, decidimos que seriam duas diárias com banho e duas sem banho....
Roma é indescritível. É muito alegre, movimentada, barulhenta com suas motos vespinhas cruzando a cidade o tempo todo.
Comemos bem demais! Que sorvete maravilhoso, que mortadela deliciosa, que variedade de molhos para massa! A pizza é que me pareceu estranha demais; comíamos pizza em pedaços retangulares enrolados em papel de pão.
Em Roma fomos surpreendidas pelo assédio exagerado dos italianos. Choviam meninos atrás da gente. Passeando na Via Veneto, conhecemos dois rapazes que grudaram na gente. Demos um jeito de nos livrar da presença deles com alguma desculpa esfarrapada. Pra quê? Logo nos arrependemos de dispensar a companhia deles.
Pouco depois, descíamos tranquilamente a avenida quando um grupo de rapazes - acho que eram uns cinco ou seis - desceram de um carro e vieram em cima da gente. Eles nos pegavam pelo braço e queriam nos forçar a entrar no carro. A situação ficou mesmo complicada e comecei a ficar assustada. Felizmente, os dois rapazes que havíamos despachado apareceram e deram uma corrida nos franguinhos que nos atacavam.
Eles voltaram a nos acompanhar, e dessa vez a gente apreciou a companhia deles. Sabe Deus o que teria acontecido se a gente tivesse sido arrastada para aquele carro....
Passamos horas olhando a Fontana de Trevi – é uma delícia ficar ali sentada apenas observando os turistas que enchem a fonte de moedas.
A capela Sistina estava em obras. Vimos o Papa João Paulo II lá naquela janelinha. A Praça de São Pedro estava lotada porque naquele dia aconteceu uma cerimônia de beatificação. Visitamos as Ruínas, Piazza de Espagna, Via Del Corso... Lindo, belo, inesquecível.
Com a boca permanentemente cheia d’água de tanta fome de comida cozida, que não fosse sanduíche feitos com o que comprávamos nos supermercados, alem da gula que a própria fome se encarrega de alimentar, decidimos cometer uma violência financeira e entrar numa tratoria para experimentar a autêntica comida italiana. Como os restaurantes na Itália também apresentam os cardápios com os preços na porta, fizemos as contas e achamos que valia a pena o investimento. A hora do almoço já tinha passado e o lugar estava vazio. Escolhi espaguete e Magali caneloni. Atendeu-nos um senhor que serviu um pratinho com no máximo 50 fios de macarrão para mim e três rolinhos de caneloni para Magali. Uma frustração para duas gulosas esfomeadas. A gente não sabia, mas a pasta era só a entrada, o prato deveria ser pedido à parte...... e nós não pedimos mais nada, claro.
O pior é que ele serviu a gente e depois serviu o próprio almoço e o de uma senhora gorda que devia ser esposa dele. Só que o prato de espaguete deles era fundo e transbordava de tanta massa.
Como se não bastasse, quando a conta chegou, veio inflada com taxas e mais taxas que a gente não sabia que seriam cobradas. A conta ficou uma fortuna e nós reclamamos. Foi uma briga das boas e do jeito italiano – em voz bem alta. Ele falava que o “coubert” era cobrado para pagar a lavagem das toalhas das mesas. Eu passava a mão na toalha e mostrava que nós não havíamos sujado a toalha. Enfim, fizemos a conta de nossas despesas, acrescentamos 10%, pusemos o dinheiro sobre a mesa e saímos, deixando os dois aos berros. A mulher ficou tão vermelha que achei que pudesse explodir.
De Roma passamos por Pisa para ver a torre torta e seguimos para Mônaco.
Passamos apenas algumas horas em Mônaco, o suficiente para percorremos a pé todo o circuito da Fórmula 1. Só de andar por lá a gente já se sente milionário. Que cidade encantadora. Fiquei apaixonada por Monte Carlo.
Seguimos para Cannes, onde chegamos ao cair da noite e ficamos num albergue que ficava longe do centro, numa encosta e com uma linda vista da cidade.
Este albergue permitia que os hóspedes utilizassem a cozinha. No dia seguinte, fomos ao mercado comprar macarrão e molho de tomate em lata. Finalmente , naquela noite, comeríamos uma comidinha quente, pois há dias estávamos à base de sanduíche.
Magali tem mania de limpeza com as próprias mãos. Ela tem problemas de pele seca e lava e passa creme nas mãos várias vezes ao dia. Em Nice, sentadas numa praça para comer nosso lanchinho (comemos sanduíche de atum dezenas de vezes...) olhei para as mãozinhas dela – estavam imundas!. Na verdade, a pele chegava a apresentar um tom acinzentado....kkkkkk! Quando chamei sua atenção para o estado de suas mãos, ela parou, olhou e disse que a fome era maior que a mania de limpeza. Só faltou lamber os dedinhos.
A praia de Nice tem pedrinas no lugar de areia. Um horror para quem quer andar descalça. Saímos de manhã com o biquíni por baixo da roupa de frio já que, quando o sol aparecia, a temperatura ficava quentinha, mas quando se escondia.....soprava um vento muito frio!
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| Nice |
Tinha pouca gente na praia, era dia de semana, mas todas as mulheres estavam de top-less. Nós pensamos na possibilidade de tirar a parte de cima do biquíni, afinal, ninguém conhecia a gente e seria uma atitude absolutamente normal para os padrões da população local, mas... cadê a coragem? Penso que chamamos mais a atenção por estar usando a parte de cima do que se estivéssemos como as outras mulheres, com os seios à mostra.
Andamos várias vezes nos ônibus sem pagar porque não sabíamos que era necessário comprar a passagem antecipadamente, tipo vale transporte, e ninguém nos cobrou nada. Depois, soubemos que lá não há controle permanente; a fiscalização é ocasional, mas se você for pego sem bilhete dentro do ônibus, seus problemas serão grandes!
Ao voltarmos para o albergue, ficamos na cozinha aguardando nossa vez de preparar nossa macarronada. A panela era pequena, mas conseguimos cozinhar todo o pacote de 500 gramas . Era muito macarrão! O primeiro problema foi que percebemos que no lugar de molho de tomate havíamos comprado extrato de tomate. Imagina a gororoba que ficou...
O segundo problema foi que precisávamos esvaziar rapidamente a panela para que outro hóspede a utilizasse. Despejei aquele macarrão todo em dois pratos. Estivador do cais do porto se visse nossos pratos ia achar que tínhamos exagerado na quantidade.
Sentadas no refeitório cheio de gente, fiquei envergonhada, mas tratei de comer o mais depressa possível para esvaziar logo aquele pratão. Magali, ao contrário, comia na maior tranquilidade, com gestos delicados, parecia uma “lady”, criando um contraste interessante: um pratão de esfomeada com gestos de quem come caviar.
Saímos de Nice e passamos um dia inteiro e a noite inteira no trem para voltarmos rapidamente para Madri, pois já estávamos viajando há quase trinta dias e as minhas férias estavam no fim.
Passamos de trem por Marselha, fizemos baldeação em Avignon e em Barcelona.
Trocamos as passagens da Ibéria pelas da VARIG e depois das últimas compras na Feira do Rastro, onde gastamos tudo o que nos restava, passamos o último dia inteiro fazendo hora na Plaza Colon, onde existe uma estação subterrânea de ônibus que seguem para o aeroporto. Passamos fome até embarcarmos no vôo de volta, a uma hora da manhã do dia seguinte. Quando serviram o jantar logo em seguida à decolagem, comemos com um apetite de leoas!
Eu voltei bem mais magra; Magali voltou anêmica e com problemas na coluna que a atormentam até hoje.
A viagem toda foi maravilhosamente inesquecível, mas......não pretendo repetir algo parecido nunca mais na minha vida. Essa coisa de dormir cada dia em um lugar, de arrumar e desarrumar mala (ou mochila) todos os dias, de carregar muito peso, de rodar de trem para lá e para cá ao estilo "easy rider" só é bom mesmo quando somos muito jovens. Hoje, prefiro conforto e conhecer melhor poucos lugares de cada vez!
Uma viagem dessas, só mesmo na juventude.




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