segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Adeus Muriqui

Mamãe e Tootsie no portão da casa depois da reforma

            Dez anos depois do papai ter comprado a casa de Muriqui, que tanto contribuiu para que tivéssemos uma adolescência saudável e cheia de histórias, nem eu nem meus irmãos estávamos interessados em continuar passando férias e feriados lá. Até Edinho já não curtia muito.
            Estávamos os três com mais de 20 anos, com carro e com outros interesses no Rio.
          Além disso, Muriqui vinha crescendo de forma assustadora e com uma frequência nem sempre qualificada.
            Lembro que numa das últimas vezes que estive lá, levei Márcia e Magali. Entediadas pela falta do que fazer, decidimos ir junto com meu irmão Edinho até um clube que ficava em Campo Grande, subúrbio da zona oeste do Rio. Era um local simples e animado, frequentado por pessoas com costumes muito diferentes daquelas que estávamos acostumadas a ver na Hippo. Foi uma noite muito divertida. Dançamos despreocupadas com a opinião dos outros e fizemos o maior sucesso entre a galera rsrsrsrs.
Essa piscina era simples, de fibra de vidro, mas era gostosa.
            Papai se chateava muito com nossa má vontade em ir para Muriqui. Ele reformou a casa toda, construiu mais um quarto dentro da casa, mudou todo o jardim, incluindo a construção de uma piscina, fez mais um quarto e mais um banheiro – a casa ficou muito mais bonita.
            Até que, num feriado, papai tanto insistiu que fomos todos para lá. Foi também o Tio Jorge, irmão de meu pai que nunca havia se hospedado lá – como já disse no início dessas memórias, eles não eram muito próximos.
Muitas histórias se passaram nessa varanda.... saudade!

            Edinho adorava pegar o carro do papai, na época um Ford Corcel II 1981, verde claro metálico. Na noite de sábado, ele saiu para passear, encheu o carro de amigos e resolveu ir para Itacuruçá. Era uma estrada perigosa, estreita e sem acostamento, cheia de curvas fechadas e a beira de uma encosta de pedra, com vários precipícios. Na volta, ele perdeu a direção e caiu com o carro num barranco. Por sorte não foi no precipício.
            No dia seguinte, quando papai acordou e não viu o carro na garagem, foi logo acordar Edinho. Sabendo do acidente e vendo que meu irmão estava bem, papai ficou furioso porque havia recomendado inúmeras vezes para que não utilizássemos aquela estrada.
            Tio Jorge ficou defendendo meu irmão e deixou meu pai ainda mais irritado. O domingo foi péssimo! O mau humor de papai contagiou a todos. Ele passou o dia envolvido com o serviço de reboque para buscar o carro e levá-lo para o Rio.
            Como ficamos sem um dos carros, voltei de carona com meu tio Jorge. Quando abri a porta de casa, já no Rio, o telefone tocava sem parar. Corri para atender. Era mamãe pedindo que eu verificasse se na sacola de roupas sujas que eu trouxera estava uma bermuda com a chave do carro do Eduardo, o único carro que eles tinham para voltar de Muriqui. Sim, a chave tinha vindo para o Rio junto comigo, no bolso da bermuda.
            Desliguei o telefone e voltei imediatamente para a estrada. Quando cheguei a Muriqui, o clima estava pesado. O problema agora era a falta de gasolina; na época havia racionamento de combustível e os postos não abriam aos domingos.
            Voltamos com o carro do Eduardo, um Gol azul escuro. Papai e mamãe tiveram que ficar em Muriqui esperando o posto de gasolina abrir para poder voltar com o meu carro.
            Na hora de fechar a casa para voltar para o Rio papai, ainda sofreu um pequeno acidente. Enquanto fechava as janelas, um delas despencou em cima dos dedos do papai. Ele urrava de dor e espraguejava contra a casa e contra Muriqui. Passado o susto, com os dedos da mão inchados (depois ficaram muito roxos), ele foi até a garagem, achou a placa de vende-se que estava pendurada na casa quando nós a compramos e voltou a pendurá-la no mesmo lugar.
           Não demorou uma semana e ligou um senhor que admirava nossa casa há muito tempo. Comprou logo depois, por um preço acima do valor de mercado.
            Papai sofreu um bocado ao vender aquela casa. Ele a adorava. 

2 comentários:

  1. Parábens pela sua iniciativa de registrar o que realmente vale a pena em nossas vidas!!!
    Que bom! Eu tenho uma filha de 13 anos que adora Muriqui e nas minhas buscas por casas (que eu possa comprar), cheguei aqui...
    Muito sucesso em sua vida!
    Abraços,

    Eu também sou MC, Engenheira que também faço Consultorias e gosto muito de escrever, embora ultimamente só tenho tempo para os artigos científicos.

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