sábado, 1 de setembro de 2012

Tchibum...Tchuá....


Tchibum...Tchuá.... É o nome do livro de poesias lançado por mim e minhas amigas Cláudia Areas, Kiki e Ângela. Muitas de nossas poesias foram criadas no BNH, onde nós quatro trabalhávamos.
Tchibum... Tchuá... é uma onomatopeia com a intenção de reproduzir a sonoridade de um  mergulho na piscina. A proposta do livro é a de um mergulho no amor e na poesia.
Com ilustrações de Andréia Azevedo e apresentação de Vilma Guimarães Rosa, nosso livro foi lançado em 21 de outubro de 1985.
A Noite de Autógrafos aconteceu no Bar Botequim, na Rua Visconde de Caravelas, em Botafogo e foi considerado um happening porque nós quatro éramos muito bem relacionadas e o número de presentes no evento foi tão grande que provocou congestionamento no já tumultuado bairro carioca.
Como trabalhávamos na área de comunicação social do BNH, tivemos facilidade de acesso para divulgação do evento em vários canais de comunicação, o que contribuiu para uma ótima repercussão de nosso trabalho. Tivemos cobertura dos principais jornais do Rio de Janeiro e algumas notinhas em colunas sociais como a dos colunistas mais famosos da época no Rio de Janeiro: Ibrahim Sued e Zózimo.
Foi uma noite inesquecível, onde pude encontrar amigos de toda a vida. 
Nossos diferentes estilos poéticos e nossas respectivas vivências, também muito diferentes, proporcionaram textos de temáticas bastante diversificadas.
·      Cláudia – casada, mãe de quatro filhos homens, mulher que, até então, vivia como satélite do marido, médico de sucesso. Havia pouco tempo que deixara a dedicação exclusiva à família para trabalhar em uma estatal;
·  Cristina – casada, ainda sem filhos naquela época e enfrentando problemas proporcionados pelo seu constante estado depressivo;
·    Ângela – solteira, homossexual assumida, iniciava um relacionamento conjugal com Carmen, mãe de duas filhas e recém-separada do marido.
·     Eu – solteira, baladeira e sujeita a diferentes paixões, mas guardava no coração um sentimento profundo e platônico por um colega do BNH.

Quatro amigas com histórias muito diferentes. Certamente, todas as pessoas que leram Tchibum... Tchuá... se identificaram com alguns dos sentimentos ali publicados.
Foi uma tiragem pequena, apenas mil exemplares, pagos de forma cotizada. Vendemos quase 400 exemplares na noite de autógrafos e muitos outros nos meses seguintes. Hoje, ainda tenho alguns poucos livros em minha casa.
A maioria das minhas poesias publicadas em Tchibum... Tchuá... relatava em verso as histórias reais e da minha vivência desse amor não correspondido, mas constantemente alimentado de esperanças e sonhos.
 Quando surgiu a ideia de lançarmos o livro juntas, fiquei muito empolgada e tratei de juntar material. Todavia, quando o livro ficou pronto, me dei conta de que não só a pessoa alvo do meu amor platônico, mas todos os colegas do banco, teriam acesso aos meus versos; versos que revelavam a paixão que sentia por ele, e que todos já conheciam. Pensei em desistir, mas já era tarde. Para tentar amenizar a exposição pública a que me sujeitei, cortei alguns convidados da lista, inclusive o próprio “muso” inspirador.
Logo depois da festa de lançamento, marcamos um encontro e dentro do carro dele, estacionado de frente para o mar da Avenida Vieira Souto, em Ipanema, mostrei todas as poesias inspiradas no amor que sentia. Ele ficou muito surpreso e envaidecido. E só.
Tenho suficiente senso crítico para reconhecer que minha veia poética não é nada talentosa. Meus versos eram simples e diretos. Na verdade, contavam histórias com início, meio e fim, pouco criativos e muito menos viajantes. Uma poesia que todo mundo que lê entende exatamente o que eu quis dizer. Era mais uma curtição para acompanhar o talento das outras poetas, bem mais talentosas que eu. 
Há anos não consigo escrever nem um verso. Meu talento para escrever é bem direcionado ao estilo jornalístico. Mas a experiência como poetisa foi muito legal!

3 comentários:

  1. Cheguei aqui de paraquedas e li o blog todo. Muito legal, espero outros posts. Passo alguns feriados em Muriqui e conheço a casa que foi de sua família. A gente entra na sua história como se fosse um livro. Acho que vc sabe aproveitar as oportunidades que a vida tem lhe oferecido. Parabéns e até!

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    1. Oi Cacau, obrigada pelo comentário. É muito bom saber que as pessoas gostam do que a gente escreve! Vi seu blog onde você fala do seu dia-a-dia. Acho que assim a gente pode um dia voltar a ler e ter a chance de relembrar momentos simples e felizes (ou não) que ficaram esquecidos. Eu comecei "um pouco" mais atrás, resgatando passagens no fundo do baú das minhas lembranças, mas um dia eu chego até os dias atuais. Abraços

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