Na
Semana Santa de 1988, Nazira, uma colega do BNH/Caixa ganhou passagens para
duas pessoas com destino à Salvador, além de estadia numa casa da Praia de Jauá
com direito a carro alugado por quatro dias. Ela me convidou e Márcia B resolveu
comprar a passagem dela e vir com a gente.
A
casa onde nos hospedamos era grande, mas não muito confortável. O tempo não
estava lá essas coisas, como acontece normalmente no outono em Salvador.
Chegamos na quinta-feira à noite e passamos a sexta-feira revendo os principais
pontos turísticos, como o Mercado Modelo e rodando de carro pelas avenidas e
vales soteropolitanos.
Márcia
B levou o contato de um rapaz que Magali conhecera anos antes numa viagem
que fez à Bahia, chamado Estácio. Telefonamos para ele e seu irmão, Eduardo, nos
convidou para irmos até o restaurante que eles tinham e que ficava num shopping
do bairro do Itaigara. Assim, no final
do dia, fomos até lá. Estácio não estava, mas Eduardo nos recebeu muito bem e
fez questão de nos levar à casa do irmão, no bairro da Graça. Estácio era um homem bonitão, com 32 anos e foi muito atencioso.
Atencioso até demais.... Foi com a gente até Jauá, esperou que trocássemos de
roupa e nos levou para jantar. Depois nos levou para à boate Regine’s, no
antigo Hotel Le Meridien, no bairro do Rio Vermelho. Na boate, acabei ficando com Estácio e isso
deixou Nazira visivelmente irritada, o que criou um clima desagradável entre nós duas pelo
resto da viagem.
Antes da viagem, eu consegui convites para passarmos um dia no Club Med de Itaparica. Márcia
B e Nazira não conheciam o resort, mas eu já tinha estado lá por três
vezes. Chegamos tarde da boate e não dava tempo de irmos à Jauá, então, Estácio ofereceu para trocarmos de roupa em sua casa antes de seguirmos para Itaparica. Eu estava empolgada com Estácio e Márcia B deu força para que eu ficasse com ele em Salvador enquanto elas passavam o sábado no Club Med. Adorei a sugestão e fiquei em Salvador com Estácio. No domingo, fomos à praia de Itapuã.
De
volta ao Rio, fiquei muito animada quando soube que a Gerência de Comunicação
Social da CAIXA em Salvador estava vaga, já que andava empolgadíssima com os
frequentes telefonemas do baiano que havia conhecido.
Tanto
fiz que o chefão da CAIXA na Bahia me convocou para uma temporada de trabalho a
fim de nos conhecermos e permitir que ele avaliasse meu desempenho
profissional. Infelizmente, a essa altura, a vaga de gerente já havia sido
ocupada, mas a viagem era uma ótima chance de mudar a desagradável rotina de
pouco serviço e muita fofoca do gabinete de diretoria onde estava lotada.
Pouco
antes de embarcar para Salvador, fiz um concurso de seleção para participar de
um curso de telejornalismo na extinta TV Manchete, no Rio de Janeiro.
Ainda
em Salvador, onde permaneci por mais de um mês, soube que tinha sido aprovada e
precisei retornar ao Rio. Nessa altura, meu envolvimento com o baiano já estava
prejudicado.
Fiz
o curso coordenado por Mauro Costa. A professora foi a repórter Eliane Furtado. Passamos semanas produzindo matérias pelo Rio de Janeiro, uma experiência muito legal. Ao final do curso, fui classificada como a segunda melhor repórter da turma.
Convidada
pelo Gerente Geral da Bahia, Manuel Alfredo para trabalhar na área de
Comunicação Social, perguntei ao editor de jornalismo da TV Manchete se eu
poderia trabalhar como repórter em Salvador.
Assim,
tão logo terminei o curso, providenciei minha mudança para Salvador. Era o mês
de outubro de 1988.
Apesar
de participar a meus pais a minha intenção de deixar o Rio de Janeiro, eles não
acreditaram nessa possibilidade. Foi um susto para eles quando a hora chegou e
eu viajei para Salvador a fim de providenciar o aluguel de um apartamento.
Foi
nessa viagem que me desentendi de vez com o baiano, um homem que me magoou
muito por sua insensibilidade e grosseria.
Aluguei
um apartamento de suíte, sala, varanda, cozinha e dependências completas de
empregada no bairro da Graça, Rua Oito de Dezembro, Edifico Franz Schubert. Era
um lugar muito agradável, com vista para o Clube Bahiano de Tênis.
Trabalhei
duro em meu primeiro verão baiano. Acordava às quatro e meia da madrugada e as
seis já estava na TV Aratu, então retransmissora da rede Manchete.
Fazia
o telejornal "Bom Dia Bahia" na função de "repórter da madrugada". Diariamente, saía com a equipe, que eram conhecidos pelos apelidos: Para-Brisa (câmera) e Tripinha
(assistente e iluminador), para gravação de uma tomada rápida que não podia ter
cortes porque não havia tempo para edição. Tinha que ser gravada de uma só vez
e precisávamos estar de volta à emissora antes das sete horas para que a matéria
fosse veiculada. Geralmente era uma entrevista ou um “stand-up” – uma passagem do tipo que se faz ao vivo.
Acordava
às quatro e meia da madrugada e ia para a TV Aratu, no bairro da Federação,
onde trabalhava até o meio dia. Voltava para casa, engolia alguma coisa no almoço, deixava o carro na garagem e pegava um ônibus para chegar na Caixa às
13 horas. A sede da Caixa na Bahia ficava perto da Rua da Ajuda, próxima à
Prefeitura, um local onde estacionar é quase impossível.
Ficava
na Caixa até depois das 19 horas e voltava a pegar ônibus para chegar em casa. Era apenas o tempo
de comer alguma coisa e cair na cama para começar tudo de novo na manhã
seguinte.
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