Magali casou em março de 1987 e foi morar no Recife porque Marco Antônio, seu marido, tinha sido aprovado no concurso para engenheiro da Petrobrás e transferido para Pernambuco.
Foi a oportunidade de ouro para conhecermos o carnaval de Recife. Helenice, que é de Curitiba foi com a gente uma semana antes do carnaval.
Foi a primeira vez que vi um trio elétrico e fui definitivamente conquistada por essa máquina. Nessa época, havia um pequeno carnaval em Boa Viagem animado por trios elétricos. Ficava perto do Othon Hotel de Recife e havia uns camarotes erguidos na avenida à beira da praia.
A primeira música que ouvi no trio foi um dos primeiros sucessos do Chiclete com Banana: Fé Brasileira, “Se liga Brasil, eu sou brasileiro”.
Na quinta feira, primeira noite do carnaval, encontramos um rapaz que Márcia e Magali conheciam de Curitiba, Gino, e ele nos levou para o camarote do Othon, onde estava hospedado.
Na sexta-feira, novamente em Boa Viagem , Márcia B conheceu um rapaz que nos convidou para o camarote armado em frente ao Othon. Ela logo se entendeu com ele e nós ficamos por lá. Lembro que já tinha bebido whisky, estava um pouco embriagada, mas perfeitamente consciente. Aconteceu que o tal rapaz estava com lança-perfume e sem perguntar se eu estava a fim ou não, apertou o lenço encharcado na minha cara. Não tive como escapar e o resultado foi que não me lembro de nada do que aconteceu naquele camarote.
Quando recobrei a consciência eu estava encostada na parte da frente do camarote olhando o pessoal que brincava na rua ao som do trio e me dei conta de que estava tonta, muito tonta. Tão tonta que resolvi voltar para casa imediatamente e sem pedir a opinião da Marcia para saber se ela também queria ir embora, fui saindo sem me despedir de ninguém. Saí andando completamente bêbeda pela rua em direção à casa de Magali (Graças à Deus sempre tive facilidade de me localizar em cidades diferentes). Entrei no apartamento e fui direto para o banheiro, onde vomitei muito. Que porre! Márcia B, que veio atrás de mim quando daí do camarote quando percebeu que eu estava muito ruim, chegou logo depois e me ajudou a trocar de roupa e a deitar.
No dia seguinte era sábado de carnaval. Dia do desfile do Galo da Madrugada! Acordamos cedo, pelo menos para quem foi dormir tão tarde, nove da manhã é muito cedo. Sentindo os efeitos da ressaca, mal conseguia acreditar que precisava me arrumar para ir atrás de um bloco.
Conhecemos um outro rapaz (um bando de mulher junta.... já viu, né? Conhece muitos rapazes), chamado Guilherme , que nos convidou para ir ao desfile com ele em cima de sua pick-up D20 (na época era possível acompanhar com carros e caminhões desfilando dentro do bloco Galo da Madrugada).
Por causa da ressaca terrível, eu só conseguia beber água. Fazia um calor terrível. Eu me sentia amassada, arrasada e muito desanimada. De cima da pick-up via o povo tomando cachaça Pitu pura, que era vendida em lata com uma tampinha que servia de copinho. Isso aumentava meu enjoo.
O desfile ainda não tinha começado. Eu estava em cima da caçamba da pick-up quando um rapaz começou a fazer sinais para mim pedindo para subir no carro. Eu expliquei que o carro não era meu e, portanto, não me cabia autorizar a subida de ninguém. Tinha um senhor sentado perto da gente que veio me explicar que o tal rapaz conhecia do dono da pick-up, mas que ele só subiria se eu quisesse que ele subisse. Não entendi nada. Eu? Ele sobe se ele quiser e não por minha causa, expliquei.
Passamos o dia brincando o carnaval no bloco Galo da Madrugada.
De volta para casa, fui arrumar a roupa da véspera - a noite do porre, e achei no bolso um torpedinho com o nome e telefone de alguém. Li o papel e fiquei tentando lembrar quem era aquela pessoa e comentei com Márcia a respeito. Ela então disse que aquele telefone era do rapaz com quem eu tinha ficado no camarote, e que era o mesmo rapaz que queria subir na pick-up e eu não quis.
Como assim? Eu fiquei com alguém ontem? Lembrei que o rapaz que estava querendo subir na pick-up era bonitinho, mas eu não lembro de nada do que aconteceu naquele camarote. A lança-perfume detonou minha lucidez. Pior foi saber que o tal rapaz foi o mesmo que nos colocou no camarote, beijou primeiro a Márcia B, e eu lembro de ver os dois se beijando, e depois botou o lenço com a lança no meu nariz
Quer saber? Bem feito que eu não lembrava dele! Se não fosse pelo efeito da lança, eu jamais ficaria com um cara que tinha acabado de beijar outra, ainda mais sendo minha amiga. Tudo aconteceu porque ele me dopou com a lança.
No domingo fomos conhecer o carnaval de Olinda. Foi então que vimos as bandinhas de frevo subindo e descendo as ladeiras, além das numerosas barraquinhas que vendiam comidas e bebidas. Provei “Retetel” – vinho com cachaça (acreditem, é bom!), “Capeta” (uma bebida doce) e “Pau-do-Índio”, uma bebida tradicional do carnaval pernambucano cuja receita, segundo dizem, é guaraná em pó, trinta e duas ervas e cachaça. Imagina o estado em que ficou minha alma.
Voltamos para Boa Viagem (adorei mesmo foi o som do trio). Nesse dia, discuti com um barraqueiro que vendia cachorro quente. O motivo da discussão foi porque ele cobrou um valor menor da coca-cola para alguém que pechinchou. Eu reivindiquei pagar o mesmo preço, só que eu já tinha pago pelo meu lanche, ou seja, queria que ele me devolvesse o valor pago a maior – que eram poucos centavos. Ele disse que não ia devolver nada e eu, como forma de protesto, quebrei o casco da garrafa de Coca-Cola de propósito e saí correndo. O homem veio atrás de mim e Márcia B, para evitar maiores problemas, pagou pelo prejuízo da garrafa. Eu ainda me aborreci com ela por causa disso.
Acho que o tal do “Pau-do-Índio” me transformou numa guerreira, afinal esse não é o meu padrão de comportamento. Brigar por causa de poucos centavos! Afffff o que fartas doses de cachaça são capazes de fazer com um ser humano!
No último dia fomos a um baile de carnaval num clube do Recife. As músicas tradicionais do frevo nunca mais saíram de minha lembrança:
“Voltei Recife,
Foi a saudade que me trouxe pelo braço,
Quero ver novamente na rua o frevo tocando,
Tomar umas e outras e cair no passo”.
Tomar umas e outras e cair no passo”.
Ou ainda:
“Balança o saco, Balança do saco, Balança o saco de confete e serpentina,
Eu vou meter o dedo, Eu vou meter o dedo, Eu vou meter o dedo nas cordas do violão...”.
E não podia faltar:
“Êh pessoal, Êh moçada, Carnaval começa no Galo da Madrugada...”.
Nunca mais passei carnaval no Recife, mas um dia ainda quero voltar.
Nunca mais passei carnaval no Recife, mas um dia ainda quero voltar.
Depois do carnaval Helenice voltou para Curitiba e eu segui com Márcia para uma semana em Maceió. Muita praia, muito sol. Alugamos um bugre, e passeamos de São Miguel à Praia da Sereia. Noites de muita agitação no bar Lampião. Conhecemos também um restaurante maravilhoso que ficava em cima da boate Gstaad, onde dançamos muito.
Não tenho uma única foto do carnaval de Recife. Mas tenho algumas poucas de Maceió.
Não tenho uma única foto do carnaval de Recife. Mas tenho algumas poucas de Maceió.
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| A caminho das piscinas naturais de Pajuçara |
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| No balanço das ondas em cima da Jangada |
Foram férias maravilhosas!


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