sexta-feira, 18 de junho de 2010

Colégio Antônio Prado Júnior, na Tijuca

Em 1971 comecei a estudar no Colégio Estadual Antônio Prado Júnior, que fica na Rua Mariz e Barros, esquina com Felizberto de Menezes, quase na Praça da Bandeira. Minha turma era a 105, e a maioria dos alunos veio da mesma turma em que estudei no Instituto de Educação, que fica logo ao lado do Prado Júnior.

Por “azar” meu, resolveram arrumar os alunos nas carteiras em ordem alfabética e eu fui obrigada a me sentar ao lado da, até então insuportável, Márcia Berino.
Já que eu teria que sentar ao lado daquela chata, resolvi não criar problema e passei a conversar normalmente com ela. Com o tempo, nos tornamos grandes amigas.
Contribuiu para isso o fato de que minha melhor amiga no Instituto de Educação, a Valéria, aquela de Muriqui, não seguiu com a gente para o Prado Júnior.
Era caminho para Márcia passar na porta de minha casa quando ia para o colégio e, por causa disso, todos os dias, durante todos os quatro anos do curso em que estudei ali, ela passava lá em casa para seguirmos juntas para o colégio. Márcia sempre foi muito pontual, ela sempre chegava cedo, esperava, esperava, e saía em cima da hora por minha culpa, quando não saíamos atrasadas.
Eu sou assim até hoje. Dificilmente chego cedo a algum compromisso, geralmente chego na hora certa ou um pouco atrasada.
Enfim, a partir dessa época, eu e Márcia nos tornamos grandes amigas.
Comecei a primeira série vestindo manequim 46. Os cabelos continuavam compridos e o apetite não havia diminuído.
Foi em meados de 1971 que comecei a nadar e a emagrecer.
Continuei sendo uma boa aluna, nunca dei trabalho aos professores.
Todos os anos eu elegia um colega de turma para ficar “a fim”. Vejo agora que desde criança sou viciada em paixão.... fico procurando por quem me apaixonar. No primeiro ano cismei com o José Alexandre. No segundo suspirava pelo Mário Cosme. No terceiro, a vítima foi o Marco Antônio e no quarto, finalmente, namorei o Mauro Gomes.
Nos dois primeiros anos, os alvos de minha paixonite nem me davam bola, acho que nem notavam minha existência. Eu era aquela gordinha CDF que os meninos costumam não enxergar.
A turma do segundo ano era a 204. Uma turma muito difícil! Era muito comum sermos levados à Diretoria para ouvirmos broncas e sermões.
No segundo ano eu continuava nadando e tinha reduzido meu manequim para 44.
O terceiro ano virou sétima série porque houve alteração no modelo de ensino e o ginásio passou a compreender as quatro últimas séries do primeiro grau.
Estudei na turma 703. Nesse ano eu já estava mais em forma, havia emagrecido bastante e vestia manequim 42.
Minha vida se resumia às aulas de natação e ao colégio, além dos passeios de final de semana. 1973 foi um ano meio sem ação, exceto pela viagem à Disney e pelos bons resultados que obtive na natação.
Nesse ano o foco da minha atenção era o Marco Antônio. Ele já estava na minha turma do ano anterior. Chegou à escola no meio do ano e eu não simpatizei nada nada com ele. Não sei por que, eu não ia com a carinha do garoto e eu implicava mesmo com ele. Eu era a monitora da turma 204 e uma das professoras pedia para eu verificar quem havia ou não feito o dever de casa, anotando os faltosos. Eu costumava aliviar a barra daqueles que não tinham feito mas, não aliviava a barra dele, Marco Antônio, que era muito malandro. Por castigo, sei lá por que cargas d’água, no ano seguinte caí de amores por ele.
Uma das minhas amigas na turma, a Maria Lúcia Lamas, era mais chegada a ele e se ofereceu para tentar saber o que ele pensava de mim. A resposta foi terrível:
" – Eu não gosto daquela “porra” de garota! Além do mais, ela é muito musculosa. Parece mulher macho."
Foi um choque! Eu tinha ficado musculosa por causa dos treinos puxados na natação, mas aquilo não me incomodava. Infelizmente, em 1973, ainda não havia a ditadura do corpo malhado. Mulher bonita era mulher magérrima, mas não sarada. Nesse aspecto eu era uma mulher a frente do meu tempo.
Finalmente o último ano do primeiro grau – oitava séria, turma 801 e uma mudança radical. Passei para o horário matinal.
1974 foi um ano muito marcante, definitivamente deixei de ser menina e passei a ser moça, afinal, corria o ano em que completei 15 anos.

Estava magrinha! Já estava com meus 1,72 m e pesava 54 quilos. Manequim 40 (Uhuuuu! consegui!). Minha saia era curtinha, minha blusa o mais justa possível e procurava usar as bijuterias da moda, embora transar bijuteria nunca foi o meu forte. O máximo do reconhecimento de minha nova fase foi quando a inspetora me chamou a atenção por causa do tamanho da minha saia. Uau! Foi demais! Ela provou que eu não era mais jeca!
Logo no início do último ano letivo reparei no Mauro Gomes, o cara mais simpático, charmoso, alegre, inteligente e querido da sala. Ele sentava longe de mim e parecia não notar a minha existência. Mauro havia estudado sempre pela manhã, por isso não havíamos nos visto nos anos anteriores.
Foi no verão de 74 que dei meu primeiro beijo na boca, aos 14 anos – muito tarde para os padrões atuais, mas normal para aquela época, e já me sentia mais confiante.
Ele não me deu bola no primeiro semestre, mas eu também não me incomodei porque ainda estava encantada com o amor que surgira no verão, Jorge Roberto.
Mauro vivia pra baixo e pra cima com uma tal de Maria Angélica. Ela era um pouco mais velha, tinha 16 anos. Eu fiquei na minha, até porque estava acostumada a ser ignorada pelas minhas paixõezinhas. Minhas companheiras de sala eram a Ana Maria e a Inês (a Márcia Berino estava em outra turma e a gente só se falava nos intervalos).
Para surpresa minha, no primeiro dia de aula do segundo semestre, Mauro, que mal falava comigo, chegou com sua prancheta e lançou-a à mesa que ficava colada na minha. Quase não acreditei! Nessa época eu estava mais interessada no Jorge Roberto, que comecei a namorar na minha festa de 15 anos, mas gostava muito da companhia do Mauro. Ficamos amigos. Em setembro, num show do “The Jackson Five”, meu namoro com Jorge acabou. Em outubro comecei a namorar o Mauro, um “rapaz” apenas dez dias mais velho que eu, ou seja, com apenas quinze anos. Alto, magro, moreno, de olhos verdes e mais simpático do que bonito.
Foi um namoro seríssimo. Saíamos todos os dias do colégio e íamos para minha casa. Ficávamos até o meio da tarde sem almoçar (acho que ele ficava com vergonha de almoçar lá em casa). A gente se acomodava no sofá da sala e passávamos horas nos beijando. Por várias vezes minha mãe passava de um lado para o outro e a gente nem notava. Ela dizia que iria providenciar alguns guizos para amarrar nos tornozelos para chamar a atenção da gente.
Nosso namoro continuou nas férias. Voltarei a esse assunto quando tratar dos acontecimentos da nossa casa de praia em Muriqui.
O curso terminou em 1974. Não houve formatura, nem despedidas, apenas um até qualquer dia. Eu nunca mais voltei a ver a grande maioria daqueles colegas.

2 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Achei esse post através do Google, enquando buscava memórias do CEAPJ. Sou nova aluna do colégio, e estamos com um projeto chamado Janelas do Passado, aonde resgateremos a história da escola. E achei interessante seu post, pois vi essas mesmas fotos em um slide nessa semana que passou. Gostaria de saber, se você poderia me falar mais de suas recordações para me ajudar. Adorei ver também que você é escritora, espero fazer poemas para o projeto, já que gosto de escrever. Com certeza, você me ajudará muito se pudermos conversar.

    Obrigada.

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  2. Belo post, recuperando um pedacinho da história do CEAPJ. Meu nome é Davi, sou professor de Geografia da escola e esbarrei no seu blog enquanto procurava imagens pra um encarte da formatura desse ano.

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