segunda-feira, 14 de junho de 2010

Festas de Aniversários

Apesar das limitações de orçamento normais de uma família de classe média, mamãe sempre caprichou nas nossas festas de aniversário, pelo menos para o padrão de festas daquela época, muito mais simples que as superproduções de agora.
Ela, que não tem muito jeito para trabalhos manuais, se esforçava para fazer em casa todos os salgadinhos, docinhos, bolos e enfeites das festas.
Durante todo o ano, cada vez que ia ao supermercado para as compras do mês, ela comprava uma ou duas latinhas de leite condensado, latinhas de ameixa, açúcar cristal, refrigerantes e outros produtos indispensáveis para uma festa infantil.
Mesmo trabalhando fora, passava muitas noites preparando ou adiantando as coisas das festas. Juntava-se com amigas da vizinhança para preparar os docinhos e os bolos. Essa colaboração das outras mães eram religiosamente retribuídas nos aniversários das outras crianças.
Quando surgiram os docinhos caramelados e os fondue, mamãe se atrapalhava toda para acertar o ponto da calda e para conseguir manipulá-los adequadamente na hora de banhar os docinhos na calda fervente, ainda mais que não dispunha dos instrumentos adequados. Quantas vezes ouvi suas reclamações.... ela ficava nervosa e irritada quando errava o ponto da calda ou estragava algumas unidades. Mas ela insistia e sempre dava conta.

Os bolos eram verdadeiras esculturas feitas por mamãe. O primeiro bolo do qual me recordo foi o do meu aniversário de cinco anos. Era uma sala de aula ao ar livre, com alunos sentados nas carteiras, professora de pé e no quadro negro estava escrito o meu nome. Havia uma árvore em que as frutas eram jujubas coloridas.
Depois teve a borboleta, o piano e o mais legal de todos: a piscina. Na época não existiam os acessórios que vemos agora, a piscina foi “cavada” no bolo e a água era gelatina azul.
Algumas crianças, que sempre freqüentavam nossas festas, já sabiam e chegavam curiosas para ver como era o bolo daquele dia.
Para meus irmãos, mamãe fez um posto de gasolina, um campo de futebol, o navio Teté (um dos apelidos de Edinho quando criança), um queijo prato com ratinhos comilões, (lindo!), uma bola colorida, uma abóbora iluminada no estilo “dia das bruxas”. Não podemos esquecer que esses bolos foram feitos na década de 60, artesanalmente e sem os recursos que existem hoje.

Naquele tempo, algumas de nossas festas já tinham teatrinho de bonecos.
Eram mesmo inesquecíveis!

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