
O primeiro semestre de 1974 foi dedicado a preparação da minha festa de quinze anos. Como eu já havia ganhado a viagem à Disney um ano antes, a proposta inicial era de uma comemoração restrita a uma missa de ação de graças e a uma pequena festa em nossa casa, apenas para a família e os amigos mais chegados.
Soube, então, que havia um salão de festas no prédio da minha amiga Márcia Berino que poderia ser alugado por um preço bastante razoável e falei com mamãe. Ela admitiu essa possibilidade e resolveu se informar melhor.
A partir daí a festa foi num crescendo que acabou se tornando uma linda festa de quinze anos.
Foi no Clube Municipal, na Rua Haddock Lobo, Tijuca. O clube acabara de ser reformado e havia um salão enorme na cobertura, todo em mármore branco e piso de tábuas corridas.
Como o salão era grande, exigia uma boa quantidade de convidados, um bom equipamento de som, garçons, buffet, enfim, tionha que ser um festão.
Mamãe conseguiu convencer as mães de quatorze amigas, colegas minhas e outras tantas filhas de amigas dela, a confeccionar um vestido longo (na verdade saia e blusa) amarelo e branco para dançar a valsa. Elas também formaram um receptivo na entrada da igreja na hora da missa, que aconteceu na igreja de São Sebastião, a igreja dos Capuchinhos, também na Rua Haddock Lobo.

As meninas cujos pais se dispuseram a investir no vestido para que as filhas pudessem dançar a valsa foram: as primas Rosangela e Elaine, as amigas, Márcia Berino, Elaine Maiolino, Maria Lucia Lamas, Kathya Morais Âncora, Fátima Guimarães, Valéria (filha de uma amiga de minha mãe, Cristina, Rosane, Regina, Ana Tereza, Patrícia, e Silvia, uma vizinha de Muriqui.
Nunca vou esquecer que a mãe da minha melhor amiga naquela época, a Valéria, não se interessou em “patrocinar” o traje para a valsa, apesar de, depois, ter providenciado uma roupa adequada para que ela pudesse ir à festa. Também senti falta da Maria Beatriz entre as meninas que dançaram a valsa.

Entre os rapazes estavam: Robson, Mauro (que mais tarde veio a ser meu segundo namorado), Ruizinho Macedo, Marcus Vinícius Borges Bittencourt, Fernando Carvalho Lima e Pedro Salgado, além de outros rapazes trazidos pelas meninas. Meus irmãos e primos não participaram porque eram ainda meninos de 11 e 12 anos.
Vieram também dois amigos de Curitiba especialmente para a festa: o Gô Kuster e o Paulinho Boscardin.
Quem apresentou a valsa foi Tio Kinka, então locutor da Rádio Jornal do Brasil e apresentador de telejornal na TV Tupi, que ficou famoso com seu nome de batismo: Eliakim Araújo.
Dancei a valsa com o Papai, com meu o padrinho, Tio Roseli, e com o Jorge Roberto, já que eu continuava apaixonada por ele.

Para a missa e a primeira parte da festa também usei um traje longo de saia cor de amarelo ouro e blusa branca de renda guipir de mangas compridas. O traje das meninas era uma saia amarela longa, idêntica a minha, sendo que a blusa era de manga curta amarela com detalhes em “laise” branca.

O vestido com o qual dancei a valsa foi o mesmo lindo vestido longo branco de organza salpicado de pequenas flores amarelas bordadas que usei como dama do casamento da tia Vânia.
Na valsa, as meninas ficavam a um canto do salão repleto com os 400 convidados e a medida que os rapazes eram chamados pelo apresentador, eles atravessavam o salão e iam buscar seu par. Cada moça carregava um pequeno arranjo na mão com uma vela. Enquanto dançávamos a valsa, eu ia apagando as velas, inclusive a minha, que foi a última vela a ser apagada. Depois, vários casais dançaram a valsa, inclusive meus pais.

A festa foi mesmo muito animada e a pista de dança ficou cheia por muito tempo.

Já no final da festa, quando o elevador ia descer pela última vez, Jorge Roberto me puxou e me beijou. Foi o início de um breve namoro que durou pouco mais de um mês.
Eu e Jorge numa das fotos do meu álbum de 15 anos.

Em setembro, fomos a um show do “The Jackson Five” no Maracanãzinho, com o ainda rapazinho Michel Jackson. Fomos eu e Jorge juntamente com a Rosangela, minha prima, e o Robson, primo do Jorge, que também começaram a namorar no dia da festa dos meus quinze anos. Adilson, um primo mais velho dos dois, estava conosco.
Não sei bem porque, Jorge e Robson nos deixaram com o Adilson e foram dar uma circulada antes do show começar. De onde estávamos, vimos os dois conversando animadamente com duas periguetes. Ficamos indignadas, parecia que éramos as proprietárias dos dois. Na ingenuidade de nossa adolescência, resolvemos dar o troco e simplesmente sumimos no meio da multidão. Mais tarde, de onde estávamos, víamos os dois nos procurando e achamos tudo muito engraçado. Foi o fim do namoro dos dois casais.
MC,
ResponderExcluirÉ INACREDITÁVEL COMO NÓS ESCREVEMOS, SOBRE ASSUNTOS TÃO SEMLHANTES.
VOCÊ NARRANDO A FESTA E EU AQUILO QUE EU LHE CONVIDO AGORA PARA LER:
O MEU BLOG: “HUMOR EM TEXTO”,
DESTA SEMANA, FALA SOBRE NOSTALGIA.
MAS NÃO É NENHUM DRAMALHÃO DE NOVELA MEXICANA , E SIM COLOCAÇÕES OTIMISTAS E ALEGRES SOBRE O TEMA.
SERIAM MESMO, ESTAS LEMBRANÇAS DO PASSADO E CERTA DESILUSÃO COM AS QUAIS ESTAMOS HOJE, CONVIVENDO NO PRESENTE, SOMENTE NOSTALGIA, OU VIVEMOS UM NOVO MUNDO DE ESPERANÇAS?
E CREIA,SEU COMENTÁRIO É MUITO MAIS IMPORTANTE QUE A MINHA CRÔNICA.
FICAREI HONRADO COM A SUA PRESENÇA.
UM ABRAÇÃO CARIOCA.