sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Contratada pelo BNH – Banco Nacional da Habitação

Como já contei, fui aprovada no concurso público para auxiliar administrativo do BNH em janeiro de 1980.
Num domingo, mamãe procurou meu nome no jornal que trazia a lista de aprovados e lá estava meu nome. Ela correu para me acordar com a boa notícia. Entrou no quarto com o jornal na mão e falando alto que eu havia sido aprovada, mas eu tinha ido dormir muito tarde na véspera – uma noite de sábado com festa no clube. Dormia tão pesado que não realizei de imediato a importância daquela notícia.
Mamãe estava muito feliz, contou a novidade para todo mundo que encontrava pelo caminho. Interessante foi a reação de meu pai: ele não sabia se comemorava minha aprovação ou se lamentava minha futura independência econômica. Pai que é possessivo com suas filhas, acaba sofrendo quando sente que vai perder o domínio da situação.
Fui chamada para os exames médicos em abril de 1980.
Um dos exames foi feito dentro do prédio do BNH, no posto médico. Achei estranho quando o doutor me mandou tirar a blusa. Eu estava usando um "body”, muito em moda naquela época, e estava sem sutiã. Fiquei super constrangida, mas obedeci. Tempos depois soube que aquele procedimento não era padrão. O médico é que era tarado!
Era para ter sido contratada em abril, mas por causa da faculdade, pedi para que adiassem minha contratação para junho; assim, assumi no dia 2 de junho de 1980. Nem frequentei o último mês de aulas daquele semestre, fiz apenas as provas.
Depois de uma rápida passagem por um dos gabinetes de diretoria, onde nada fiz, fui transferida para o DPLAN – Departamento de Planejamento.
Fui instalada numa sala onde também trabalhavam o Jayme Celestino e a Gilda – que estava em licença gestante. De cara impliquei com o Jayme, um solteiro convicto com mais de 40 anos e mulherengo. Impliquei pelo simples fato de que ele era vascaíno e eu flamenguista.
Nos primeiros dias, era comum alguns dos funcionários mais antigos abrirem a porta da sala, olhar para mim e, sem nada dizer, fechar a porta. Depois eu soube que há anos o BNH não realizava concurso público e, portanto, eu era uma “novidade”. Isso é que é maneira simpática e amistosa de receber uma nova colega!
Gilda, que conheci meses depois, era uma pessoa muito legal, uma das mais desbocadas que já conheci. Ela tinha um jeito muito descontraído de dizer palavrões, fazendo com que não soasse mal aos nossos ouvidos e ficasse muito enfraçado.
Passei um ano entre planilhas e máquina de calcular. Passava dias preenchendo tabelas orçamentárias em UPC – Unidade Padrão de Capital (aquele instrumento que inventaram para reduzir os estragos provocados pela inflação).
Tempos depois, fiquei bem amiga do Jayme. A gente brincava muito. Cheguei a comprar cigarros com estalinhos numa loja de mágicas e coloquei os estalos dentro de um dos cigarros dele. kkkkkkkk  Foi muito engraçado ver a cara dele quando tomou um super susto na hora em que o cigarro estourou e abriu-se como uma flor. Ele tentou se vingar de mim, chegou a encher minhas gavetas com lixo. A brincadeira foi ficando pesada, o chefe Wolnir viu e pediu que a gente parasse.... Já a Gilda, que também fumava, reagiu de uma maneira menos espirituosa: ela colou chiclete mascado nos meus longos cabelos...sacanagem! Nunca mais brinquei com ela.
Um ano depois, por indicação da Monique, uma colega da engenharia que conheci no curso de integração ao BNH, consegui ser transferida para a SECOM – Secretaria de Comunicação Social e fui trabalhar com Arnaldo no setor de áudio-visual.
Arnaldo foi o colega mais doido que conheci. Ele foi promovido porque havia se casado com a filha de um Diretor, Denise, uma ótima pessoa, mas muito frágil, insegura e carente. Eles brigavam o tempo todo, na frente de todo mundo. Não havia o menor respeito entre eles. Claro que esse casamento terminou pouco depois.
Também no trabalho Arnaldo ele era muito maluco. Quando decidiu me transferir para trabalhar com ele, e teve sua proposta rejeitada pela chefe da SECOM, ele argumentou que eu sabia fazer revelações no sistema E-6, destinado a revelar slides coloridos. Como o banco havia comprado um equipamento novo e ninguém sabia operá-lo, ele inventou essa cascata e a chefe, Lucia de Biase, concordou que eu viesse trabalhar com eles por esse motivo.
Tempos depois, quando ela descobriu que eu não sabia revelar nem foto P&B, quanto mais E-6, ela pensou que quem havia mentido para chegar até ali tinha sido eu e não o Arnaldo. Ela ficou com uma péssima impressão a meu respeito. Só fiquei sabendo disso muito tempo depois.
Aliás, os poucos contatos que tive com essa senhora não foram nada agradáveis. Uma vez, ela me pediu para fazer contato com o operador da área de áudio-visual, que ficava no 30º andar. Ela estava acompanhada do Chefe de um outro Departamento do BNH, Gustavo Heck, e queira apresentar um áudio-visual que ainda não estava concluído. Nessa época as apresentações eram em slides arrumados em carrosséis em dois projetores e o áudio era em fita K7, bipada. A cada BIP o slide era alterado. Como o som (o texto) ainda não estava sincronizado com o tempo dos slides, a apresentação certamente não ficaria perfeita porque os comando teriam que ser feitos manualmente.
Quando transmiti a ela que o rapaz do setor de áudiovisual perguntava se ela queira ver os slides com o som ou sem o som, já que ele não saberia o moento certo da troca de slides, ela respondeu de forma irônica e irritada:
- Pergunte a ele se estou falando com o Pedro Bó.
Pedro Bó era uma personagem do Chico Anísio que só fazia perguntas cretinas.
Fiquei com raiva da resposta dela. Ela estava até certa, mas nem perguntou o porquê daquela pergunta idiota. Nem me dei ao trabalho de levantar a questão da fita não estar totalmente pronta. Apenas voltei para o telefone e disse:
- Apresente o áudio com som.
Ela saiu batendo a porta com força e falando para o outro Chefe de Departamento:
- O problema Gustavo é quando você descobre que trabalha com um monte de retardados!
Ai que raiva!

2 comentários:

  1. Fiquei feliz em saber que vc foi uma das muitas que passou no concurso do BNH, infelizmente eu não tive essa sorte, prestei 5 anos de serviço e qd fiz o concurso não passei, apesar de ter estudado muito, mais antes do BNH eu tinha prestado concurso no BANDEPE (Banco do Estado de PE), logo após fui chamada para assumi.Trabalhei 19 anos e hoje eu sou aposentada. Marly (Recife/PE

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  2. Mulher interessante e me pareceu cahrmosa. Taí,gostei. Mário.

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