Em
junho de 1987 comprei meu primeiro apartamento. Era um quarto e sala em
Jacarepaguá, no Largo do Pechincha. Foi uma compra sofrida porque havia dado
entrada no pedido de financiamento junto à PREVHAB - Previdência Privada dos
Empregados do BNH, dois meses antes da extinção do banco. Por causa do futuro
incerto, e de algumas amarrações do empreendimento junto ao também finado Banco
Nacional, o processo parou e só foi liberado nove meses depois. Fiquei feliz da
vida com a sensação de proprietária de imóvel, mas quando entrei naquele apartamento
pensei: “muito legal, mas se eu tiver que vir morar aqui algum dia, é porque
alguma coisa não deu certo na minha vida”.
Nessa
mesma época papai comprou outra casa de praia. Por indicação de meu tio
Nelson, marido da minha tia Therezinha, irmã da mamãe, papai conseguiu
desenrolar a papelada dessa casa que havia sido retomada pelo Banco BRJ devido à inadimplência por parte do antigo proprietário.
Foi
um bom negócio. Era uma casa de sala e dois quartos, com um bom jardim interno.
A vantagem é que ficava dentro de um condomínio, com campinho para vôlei/pelada e
piscina, o que suavizava o trabalho de manutenção da casa. A desvantagem é que
ficava colada à casa de meus tios. Nessa época papai e mamãe se davam muito bem
com esse casal de tios, embora já houvesse queixas do meu pai quanto a algumas
atitudes do meu tio.
Apesar
de ainda jovem e menos experiente, alertei meus pais sobre a inconveniência e os perigos de uma
convivência tão próxima – parecia que eu estava adivinhando...
Nunca
aproveitei muito a casa de Rio das Ostras. Nem de longe teve para mim a
importância de Muriqui, mas era um lugar agradável e passei dias
muito gostosos lá. Rio
das Ostras fica perto de Búzios e foram muitas as vezes em que íamos passear
por lá. Sou apaixonada por Búzios, principalmente a Búzios daquela época,
bucólica e tranquila, exceto nos grandes feriados. A Rua das Pedras já era
muito movimentada, mas nada que se compare ao que acontece hoje.
Para
chegar à Praia da Ferradurinha, era preciso conhecer alguém que ensinasse o
caminho. A gente saía pelo cantinho da Praia de Geribá e andava alguns minutos
por trilhas para chegar lá. Para mim - e olha que conheço muitas praias - a
Ferradurinha é a praia mais linda do Brasil. Hoje tem até bar com espaço para
pagode por lá...uma pena.
Numa
das vezes em que fui a Rio das Ostras, levei Márcia B., Magali e Helenice,
uma curitibana que sempre vinha passear no Rio. Fomos para Costa Azul, uma
praia quase deserta, em especial no meio do ano e na altura da Lagoa da
“Coca-Cola”, uma lagoa de água iodada cuja cor da origem ao apelido.
Estávamos
tão isoladas que decidimos fazer top-less.
Eu, Márcia e Helenice tiramos o sutiã. Magali permaneceu vestida. Parece
incrível, mas não se passaram nem dez minutos e do meio do mato, sem que
tivéssemos ouvido um único barulho que nos alertasse previamente, surgiram dois
homens e um menino. Eles atravessaram a lagoa a nado e saíram bem na nossa
direção. Dá pra acreditar? Numa extensão tão grande de praia praticamente deserta, achamos que teríamos uma boa visão das pessoas que
viessem andando pela praia e não imaginamos que alguém atravessaria a lagoa a
nado.
Eu,
rapidamente me encolhi, peguei o sutiã e me arrumei. Helenice se jogou de
bruços na toalha de praia. Só a Márcia, que teve uma crise de riso porque, escondendo os seios com as mãos e encolhida na cadeira de praia, ficou
pedindo a Magali que levantasse da toalha para que ela pudesse, a exemplo de
Helenice, deitar de bruços. Magali, absolutamente desligada, não ouviu o pedido
da Márcia B.
Nisso,
um dos homens voltou para dizer que nós não precisávamos nos preocupar, que
eles não se incomodavam com o fato de estarmos fazendo top-less. Eu, já recomposta, nada falei. Márcia, que continuava
sentada na cadeira de praia e curvada para esconder os seios, pediu que ele
saísse ou virasse de costas. Ele se negou e permaneceu ali por mais um bom
tempo. Eles quase discutiram porque ele dizia que se a gente não quisesse
mostrar os seios não devíamos fazer top-less.
Quando os “estraga prazer” finalmente foram embora, nós também levantamos
acampamento na maior frustração porque eles acabaram com a graça do problema.
Foi em Rio das Ostras que passei o Reveillon de 1987/1988. Fui com Nazira e Sueli. Na verdade, rompemos o ano com meus pais, já que papai faz aniversário no dia 31/12, e em seguida seguimos para uma festa em Búzios. Lembro que Nazira tomou um porre e tanto e que Sueli limpou a sujeira que ela fez.
Sueli foi uma amiga muito querida, mas esta foi a última vez que saímos. No final da viagem houve um mal-entendido por conta da despesa com combustível e como neste ano eu me mudei para Salvador, nunca mais passeamos juntas. Nazira também se estressou comigo numa viagem à Salvador que fizemos meses depois porque eu fiquei com um baiano que ela também tinha se interessado. Não brigamos, mas ela ficou chateada. Essas duas amigas já deixaram essa vida. Nazira morreu de alguma doença que eu não sei exatamente qual foi, mas que foi agravada pelo estado depressivo que ela ficou desde que o BNH acabou. Sueli morreu por causa de um acidente com o trem de minério em Muriqui no domingo de Páscoa, em março de 2008. Ela ainda sobreviveu, ficou alguns meses internada no Souza Aguiar e morreu em agosto de 2008 devido a complicações de uma pneumonia.
Provavelmente foi em Rio das Ostras que nossa gatinha Tootsie foi contaminada pelo vírus da leucemia felina. Ela passeava muito pelas redondezas e teve contato com outros gatos.
Em 1998, papai e mamãe moraram por cerca de dois anos em Rio das Ostras e a partir daí, minha mãe não queria mais voltar para lá e papai vendeu a casa em 2000.
Quem mais aproveitou essa casa foi Edinho.

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