terça-feira, 4 de junho de 2013

Namorado Complicaaaaado.....

      Em agosto de 1986, na festa de aniversário da Gisela, conheci Leonardo G. Gisela o tinha conhecido dias antes e tinham ficado juntos. Como ele não fazia o tipo dela, ela não se interessou por ele e resolveu me apresentar porque achou que ele faria o meu tipo – definitivamente a gente tinha gostos diferentes; ela apreciava mais os tipos esportivos e mais novos.
          Leonardo era um homem bonito, alto, elegante, sofisticado, estava com 34 anos, era divorciado, tinha uma filha, então com quatro anos. É um dos homens mais criativos e inteligentes que conheci, mas tinha o grave defeito de ser prepotente. Ele sabia que era um bom profissional e por isso, se achava insubstituível. Leonardo costumava conseguir bons empregos, que ele sempre assumia dando tudo de si para demonstrar sua competência profissional. Passado algum tempo e quando percebia que já tinha conquistado a confiança e o respeito dos superiores hierárquicos, achava que podia relaxar no serviço, abusar no desleixo com o cumprimento de horários e exagerar na defesa de seus pontos de vista. O resultado era sempre o mesmo: demissão; seja porque ele era demitido ou porque pedia  demissão achando que não aceitariam perder um profissional do seu calibre.
          Quando o conheci, ele estava encerrando as atividades de uma pequena agência de publicidade. Para mim, ele mentia dizendo que a agência ia muito bem.
          Meu pai detestou o fato dele ser divorciado e ter uma filha. Além disso, ficou muito intrigado porque não entendia o fato de um homem divorciado aceitar namorar com uma moça virgem (ops!).
          Pois é, essa questão mexeu demais com a cabeça do meu pai. Será que a filhinha dele, então com “apenas” 27 anos poderia não ser mais virgem?
          Papai conheceu Leonardo na casa do meu tio Kinka, numa noite de queijos e vinhos preparados por Leila apenas para poucas pessoas.
          Tão logo papai olhou para Leonardo, se deu conta de que sua filha poderia não ser mais virgem. Assim ele tomou umas três doses de Whisky ao estilo cowboy e de virada! Como papai nunca foi de beber, o resultado foi terrível. Ele começou a passar mal, trancou-se no banheiro e caiu desmaiado lá dentro.
          A festa acabou. Ficamos todos preocupados com ele, inclusive Leonardo. Finalmente ele saiu do banheiro e teve que ser carregado para o carro.
          Nessa mesma época aconteceram duas festas na boate do Othon Hotel da Praia de Copacabana. Nas duas ocasiões, papai tomou porres homéricos e meus irmãos precisaram levá-lo carregado para casa.
          Naquela época eu não percebi o que estava acontecendo com papai. Nenhum de nós entendia por que, de uma hora para outra, ele tinha dado para encher a cara e dar vexames. Felizmente ele parou com essa mania e passou a conviver razoavelmente bem com Leonardo.
          Namoramos por pouco mais de um ano. Um relacionamento complicado porque ele era cheio de traumas causados tanto pelo casamento fracassado quanto pelo recente namoro com uma moça desequilibrada que o perseguiu por um bom tempo.
          Na época eu estava empenhada em investir na atividade de promotora de festas e organizei uma delas no Studio C,que era a boate do Othon Hotel, em Copacabana.
          Essa festa teve o tema relacionado com o nome da boate: “1986 – O ano do C”. Era o ano do Cruzado, da Copa, do Carnaval, além de outros “C’s” que estavam na moda.
O convite falava em cerveja, campari, chope, cachaça, caipirinha, champanhe  canapé, coxinha, croquete e coca-cola.
          Marquei a festa para o final de novembro. Não poderia imaginar que seria justamente a época em que o BNH acabaria sendo extinto.
         E era no BNH que eu vendia boa parte dos convites. Foi um drama! Fiquei ameaçada de ter que arcar com enorme prejuízo porque não tinha como cancelar a festa sem pagar multas, além dos gastos com decoração e convites, que já haviam sido pagos. Foi uma enxurrada de presenças canceladas e convites devolvidos.
          Meus irmãos e Leonardo me ajudaram e felizmente conseguimos vender convites em número suficiente para cobrir os custos, mas jurei que desistiria daquela carreira.
          Leonardo se comportou muito mal na festa. Ficou “galinhando” algumas de suas colegas da turma de pós-graduação em Marketing da PUC, e com isso ganhou a antipatia de toda a minha família.
          O namoro continuou meio morno. Ele tinha comprado um apartamento no condomínio AlfaPark, na Barra, e brigou com o arquiteto por causa de problemas com a instalação da banheira de hidromassagem. Entrou com ação na justiça e essa causa ocupava o seu tempo e seus pensamentos, pois a obra estava parada aguardando a avaliação pericial. Leonardo morava com seus pais, na Barra.
          Enquanto isso, eu saía com as minhas amigas.
         Na época em que tirei férias, no início de 1987, estava brigada com Leonardo. Resolvi então voltar mais uma vez ao Club Med de Itaparica, mas fiquei apenas quatro dias. Lá encontrei com Marcinha, minha amiga dos tempos em que fui PX. Ela estava com o marido Antônio Augusto. Foram dias agradáveis, mas muito menos empolgantes do que aqueles que eu havia passado nas outras vezes em que estive lá.
          No carnaval de 1987, Márcia B. ganhou convites para um camarote no Baile do Champagne que acontecia numa casa de shows do Leblon, o Scala. Os bailes de carnaval do Rio eram muito pesados, cheios de "moças de vida fácil" (!) querendo aparecer nas revistas. Eu já tinha ido a um baile no Clube do Flamengo, o “Vermelho e Preto”, e fiquei nesse baile por muito pouco tempo. Fui embora antes juntamente com Magali, enojada com as cenas deprimentes que assisti ali.
          Mas o Scala ainda preservava um ambiente menos sórdido e como íamos para um camarote, resolvi arriscar. Sueli, minha amiga dos tempos de Muriqui, foi conosco.
          Fui com uma fantasia verde bem bonitinha, fazendo par com Márcia B., que vestia um modelo idêntico de cor rosa. Nem me lembro de quem era o tal camarote, mas de repente, eis que adentra ao recinto nada mais nada menos que:.......Aécio Neves!
          Ele sempre foi muito gato. Era um jovem deputado e já muito famoso depois que apareceu ao lado do avô, Tancredo Neves, morto dois anos antes.
          Aécio chegou no camarote e ficou olhando pra quem?  Pra quem??? 
          Pra mim!
         Eu nem acreditava, pois já era tiete dele quando o via na televisão. Pois bem, ficamos aos beijos. Foram vários beijos, beijinhos e beijões.
          Ele estava com uns amigos e, lá pelas tantas, me convidou para seguir com eles para a Hippopotamus. Como eu estava fantasiada e enjoada de tanto frequentar a Hippo, achei melhor não ir. Ele não entendeu nada. Expliquei que estava com minhas amigas no meu carro e ele sugeriu que eu deixasse o carro com uma delas. Argumentei que estava vestindo fantasia e ele ponderou que era semana do carnaval e que não tinha nada de mais eu estar fantasiada. Ele insistiu bastante e eu, sei lá por que, não fui.
          Passei meu telefone para ele, mas ele nunca ligou. Fiquei arrependidíssima de não ter ido com ele, de ter me dado ao luxo de fazer doce com aquele gato, mas ... as oportunidades só passam uma vez e essa eu perdi, não tive como concertar a bobagem. Meu namoro com Leonardo era algo extremamente inconsistente e não era razão para eu não aceitar o convite do Aécio Neves.. Que bobagem, não?
          Em 1987 não brinquei carnaval, preferindo passar o feriado no Rio, curtindo o Rio ao lado do Leonardo. Cinema, praia, televisão e relax.
          Outro fato marcante dessa época foi a oportunidade que apareceu para eu assistir a um Grande Prêmio de Fórmula 1, que nessa época era realizado no Autódromo de Jacarepaguá.
          Marquinho  P. B., aquele ex-namorado curitibano, veio ao Rio especialmente para assistir ao GP e me procurou oferecendo ingresso para a corrida. A gente não se via desde minha última viagem à Curitiba. Adorei o convite. Ele estava hospedado na casa de um amigo dele, de nome Pedrão, que foi com a gente assistir à corrida.
          Quando chegamos ao autódromo, vimos que a arquibancada que eles haviam comprado já estava lotada e seria muito desconfortável brigar para encontrar um lugar ali. Além disso, estávamos no mês de abril e o sol era fortíssimo, aumentando o desconforto. Nunca entendi muito bem como tudo aconteceu, só sei que o amigo do Marquinho encostava-se nos vários portões fechados que encontrávamos pelo caminho, falava com algum responsável por alguns minutos e os portões se abriam.
          Até que chegamos a uma arquibancada diferente. Era coberta, acarpetada, com cadeiras individuais e serviço de buffet, além de bem posicionada em relação à pista: bem no final da reta dos boxes. Sem sermos abordados por ninguém, nos sentamos confortavelmente e logo fomos servidos por garçons alinhados que ofereciam a todo momento alguma bebida (cerveja, vinho branco e refrigerantes) e salgadinhos bem quentinhos.
          De lá, víamos o pessoal espremido e suado na arquibancada comum. Era comum ver um saco ou algum outro recipiente com xixi voando de cima a baixo e caindo sobre um coitado que estava na parte de baixo da arquibancada. Quem estava no alto, sem poder descer para ir ao banheiro, e sem nenhuma educação ou noção de sociabilidade, esvaziava a bexiga e jogava para baixo. Um horror!
       Enquanto isso, nós assistíamos a corrida sentindo o frescor da brisa. Estávamos no camarote da Prefeitura do Rio de Janeiro – um luxo só!
          Podíamos ver e ouvir (que barulho ensurdecedor) de perto os carros que passavam bem embaixo de onde estávamos. O Brasil corria com Nelson Piquet na Williams e Ayrton Senna na Lótus amarelinha. Piquet liderou boa parte da corrida, mas ficou em segundo lugar. Alain Prost venceu.
         
Terminada a corrida, e depois do almoço que foi servido no camarote, pudemos descer até os boxes e ver de perto aquelas super máquinas. No box da Lotus, pude ver de perto um novo grande piloto. Ayrton Senna conversava com algum mecânico quando quase todos já tinham ido embora. Pena que as portas do box já estavam fechadas porque gostaria muito de ter podido dar um abraço naquele jovem piloto.
          Fiquei olhando para ele cheia de admiração. Senna veio a ser meu único ídolo! Eu admirava  sua tenacidade, arrojo e disposição para, literalmente, correr atrás de seus sonhos. É verdade que ele estava ainda iniciando sua trajetória de sucesso, mas ninguém duvidava que ele faria uma grande carreira.  
              Nessa época, Marquinho já estava casado, mas veio cheio de intensão pra cima de mim.... perdeu o tempo dele. Depois da corrida ele queria sair para jantar, mas eu não quis ir e ele ficou chateado comigo. Muitos anos se passaram até que a gente voltasse a se falar depois disso.
          Em meados de 1987, Leonardo foi indicado por um primo, Frank, que trabalhava na Warner Bros. em Los Angeles, para o cargo de gerente responsável pela implantação da Warner Home Vídeo no Brasil. Era um emprego maravilhoso! Um salário digno de um executivo gabaritado, com direito a cursos na Europa e viagens constantes à Califórnia.
          Ele precisou se mudar para São Paulo. Eu, nesse mesmo tempo, andava deprimida porque depois da extinção do BNH, meu salário estava congelado. Já havia se passado vários meses e eu continuava indo diariamente para o mesmo prédio onde funcionava o BNH, mas passava os dias sem ter o que fazer.
          Fingíamos que namorávamos, pois a gente quase não se via mais. Ele trabalhava literalmente dia e noite, marcava reunião com fornecedores para uma hora da madrugada.

          Em dezembro daquele ano, aconteceu a festa de lançamento da Warner, num buffet chique de São Paulo, que ficava na Avenida Cidade Jardim. Leonardo me mandou a passagem de avião e fui com meus pais; ficamos hospedados num apart-hotel, alugamos um carro e fiz papel de boba a noite inteira porque ele mal falou comigo. O namoro terminou aí, discutimos ao final da festa e só voltamos a nos falar, para voltar a discutir, muito tempo depois. Foi uma conversa desnecessária. O namoro estava terminado havia meses!

Nenhum comentário:

Postar um comentário