Eu não tenho perfil de poupadora – geralmente gasto antes de ganhar, mas fiz e refiz minhas contas e, pagando a passagem em dez suaves prestações e conseguindo um dinheirinho em cima da diferença que existia entre o dólar comercial e o paralelo (na época era vendido no "câmbio negro" hehe), deu pra viajar levando $ 600 dólares no bolso.
Não vou contar aqui todos os detalhes desta viagem, até porque escrevi um livro – “Com Sorte e Sem Juízo na Europa”, que não foi publicado, onde conto todos os detalhes. Mas vou narrar os fatos mais interessantes que marcaram essa deliciosa aventura. Eu estava com 24 anos e Magali com 22, viajamos despreocupadas com o roteiro e com o tempo que ficaríamos. Combinamos que durante a viagem o roteiro ia nascer de acordo com o dinheiro que tínhamos. De certo, apenas a casa de um amigo do Guilherme para ficarmos em Paris e um hotel recomendado em Veneza.
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| Plaza de España - Madrid |
Em Madri, descobrimos o Interail Card um passe de trem para estudantes vendido apenas na Europa e que nos permitia viajar de segunda classe durante trinta dias pagando apenas $150 dólares por todos os países europeus, além da Rússia. Foi um achado! Nossa viagem ia bombar!!!!
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| Plaza Mayor de Madrid |
Carlos era muito engraçado, vivia contando casos divertidos e era bastante atrapalhado. Fomos a uma boate em Madri, dançamos, bebemos e rimos demais com as histórias dele. No dia seguinte estava programado um passeio à Toledo que incluía almoço. Acordamos cedo e a viagem de ida foi uma tortura já que estávamos mal dormidos, de ressaca e sem entender uma palavra do que a guia espanhola ia falando.
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| Eu e Magali em Toledo |
Eu e Magali estávamos felizes por ter almoço incluído no pacote, já que havíamos combinado economizar na comida para poder aproveitar mais a viagem.
Chegamos ao restaurante, num local afastado do centro de Toledo e nos acomodamos juntamente com os rapazes catarinenses para saborear o prato. Eu estava cheia de fome, mas Magali estava enjoada por causa do pileque da véspera. Quando começaram a servir os pratos, percebi que era um assado com batatas fritas, mas não conseguia adivinhar qual era a carne.
Quando pude perceber o que estavam servindo, tive uma grande decepção: eram codornas assadas - inteirinhas!!!!, ao molho de alho. Não tive coragem de comer, nem Magali. Elas vinham que nem uns passarinhos, com as patinhas amarradas e me deu dó de meter a faca. Mesmo com tanta fome, comi apenas as batatas fritas molhadinhas no molho de alho.
Os rapazes, ao contrário, caíram de boca na codorna. Luiz Alfredo comia mais devagar, tirando pequenos pesados, enquanto Carlos saiu cortando e comendo cheio de vontade. Foi quando, inesperadamente, Carlos baixou os talheres e começou a mastigar lentamente, fazendo caretas. Nós paramos para observá-lo e tentar descobrir o que estava acontecendo enquanto ele continuava tentando engolir a comida que estava em sua boca. Então, com toda a calma, ele espetou a codorninha com os talheres e olhou para suas entranhas; em seguida comentou:
- Eles não limpam as codornas por dentro...acabei de engolir alguma coisa arenosa que desceu arranhando minha garganta.
A gargalhada foi geral. Carlos ainda completou:
- Veja só: atravesso o oceano Atlântico para vir comer bosta típica na Espanha!!!!
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| Eu e Luiz Alfredo em Toledo |
Luiz Alfredo e Carlos seguiram para a França e nós continuamos em Madri até o fim da programação, o que incluía visita ao Museu do Prado e ao Palácio Real.
De posse do passe de trem, viajamos para Paris. Uma longa viagem que durou toda uma noite.
No trem, conhecemos um Argentino que nos convidou para jantar no vagão restaurante. Que sorte! Lá fomos nós, as esfomeadas, usufruir da boca livre, com direito a vinho de boa qualidade. O problema foi que o cara era muito chato, ficava elogiando a nossa beleza e já dando como certo que faríamos passeios juntos em Paris – e isso, nem de longe, estava em meus planos.
Quando chegamos à fronteira com a França, tivemos que trocar de trem e passar pela alfândega. Novamente a sorte nos sorriu: o Argentinho ficou preso na fronteira; devia estar com o visto vencido e a gente pode continuar a viagem em paz e de barriguinha cheia.





OLÁ
ResponderExcluirSOU SEU MAIS NOVO SEGUIDOR.
LAMENTO SÓ TER ENCONTRADO SEU BLOG , AGORA.
MAIS TUDO TEM SEU TEMPO CERTO, ENFIM...
GOSTEI E VOU INDICAR SEU BLOG PARA OS MEUS ALUNOS UNIVERSITÁRIOS, POIS VIREI BLOGUEIRO POR EXIGÊNCIA DELES (RS)
TAMBÉM, ESTOU LHE CONVIDANDO PARA CONHECER MEU BLOG DE HUMOR:
“HUMOR EM TEXTO”.
A CRÔNICA DESTA SEMANA É:
“CALOR DO AMOR EM CIMA DO TELHADO”
É DE HUMOR ...E DE GRAÇA
UM ABRAÇÃO CARIOCA.