segunda-feira, 2 de maio de 2011

Mico de Carnaval 1

Depois que terminei o noivado com o Jorge, passei a brincar meus carnavais de maneira mais solta. Já no ano em que fui Miss Muriqui e Mangaratiba, antes de imaginar que eu seria eleita, mamãe viu a fantasia que a Glória, mãe da Dalminha, estava preparando para ela e resolveu fazer igual para mim.


Era um macaquinho preto que mais parecia um maiô todo bordado com paetês prateados. Era uma melindrosa estilizada que ficou muito bonita e combinava com a minha condição de Miss daquele verão.

No ano seguinte as duas mães prepararam um vestido justo no corpo todo de paetê, sendo que o meu era verde com detalhes em preto e o da Dalma era azul claro com detalhes em preto. Considerando que Muriqui não é um local chic, nossas fantasias beiravam o exagero e chamavam muita atenção.
Em 1982, brincamos a noite de terça-feira em Cabo Frio. Eu e duas amigas saímos direto de Muriqui para Cabo Frio. Quando o baile do Costa Azul terminou, saímos diretamente para o Rio, pois eu precisava trabalhar na quarta-feira de cinzas. Foi uma loucura dirigir 200 Km depois de um baile onde bebi bastante. Quando chegamos ao Rio, já era dia.
Nesse mesmo ano, já bem acostumada com a vida de solteira, andei dando uns beijos a mais durante o carnaval. Durante os meses de verão em Muriqui, reparei num rapaz ajeitadinho que costumava caminhar na beira do mar. Apesar dele não ter um porte elegante, era moreno de olhos verdes, alto e bonito. Passou por mim na praia sem me dar a menor bola. Eu, no auge dos meus 22 anos, estava acostumada a chamar atenção e aquele pouco caso dele causou incômodo. Resolvi que no carnaval ele teria que me enxergar. Depois de tomar minhas três doses de vodka com fanta laranja para tomar coragem, saí pelo salão com minhas amigas. Nessa época, as pessoas andavam em círculo em volta do salão. Foi quando encontrei esse rapaz parado e olhando as pessoas que estavam "na roda". Sem cerimônia, abri o maior sorriso para ele. Ele olhou para mim e.... virou a cara! Fiquei uma arara. Que cara besta!
Continuei brincando meu carnaval e voltei a passar perto dele. Da segunda vez, foi ele quem sorriu para mim e veio em minha direção para dançar comigo. Concluí que a reação anterior dele era resultado de sua timidez. Dançamos um pouco e depois nos beijamos. Dei um beijo caprichado. Como tudo era uma grande brincadeira, resolvi dar o troco e tão logo terminamos aquele primeiro beijo, eu fui me afastando, dando tchauzinho e saindo de fininho.

Ele ficou olhando meio sem acreditar. Deixei-o sozinho e fui brincar em outros cantos. Depois, quando eu passava por ele sorrindo, ele virava a cara com jeito de bravo. Foi muito engraçada a inversão de papéis dessa história porque são os homens que costumam agir assim. Mais engraçada foi a reação dele.
Um ano depois, estava eu brincando carnaval com o mesmo espírito esportivo, quando vi aquele rapaz brincanco no mesmo lugar onde aconteceu o beijo do ano anterior. Mais uma vez movida pelo efeito da vodka com fanta laranja (sem a bebida a minha timidez e insegurança não permitem que eu faça essas coisas.....) e sem pensar duas vezes, bati com meus dedinhos nas costas dele. Quando virou e deu de cara comigo, ele sorriu e eu perguntei:
- Ainda está com raiva de mim?
Ele me olhou surpreso e respondeu:
- Eu nunca tive raiva de você.
Eu comecei a falar minhas bobagens....
-Teve sim. Ano passado você ficou bravo comigo porque eu fui embora depois que a gente se beijou – afirmei.
- Ano passado? Eu nem brinquei carnaval em Muriqui no ano passado. Eu estava em Itacuruçá e não vim a nenhum baile aqui em Muriqui.
Olhei bem para ele e disse:
- Como não? Veio sim! Não minta! Você veio, a gente brincou junto, se beijou, eu fui embora e você ficou bravo comigo – afirmei categoricamente.
O rapaz se divertia com a minha insistência. Chamou umas pessoas que estavam com ele e pediu que elas dissessem onde ele havia brincado o carnaval passado. Todas eram unânimes em afirmar que ele estava em Itacuruçá.
Lembro que eu apontava para o chão e dizia:
- Foi bem aqui; foi aqui neste lugar que a gente se beijou. Não minta! Você lembra sim. É porque você não quer admitir que ficou na bronca comigo que você está negando essa realidade.
Depois de muita insistência minha, ele me pegou pelos dois braços, segurando apertado e disse:
- Menina; eu te conheço há muito tempo. Você mora na Rua São Paulo naquela casa grande com arcos e muro de pedra. Eu fui apaixonado por você, cheguei a te seguir para saber onde você mora porque minha casa ficava no início da Rua São Paulo e eu via você passar por ali todos os dias, mas a gente nunca se falou. Meu nome é Márcio e não foi a mim que você beijou no ano passado.
Nesse momento foi como se tudo parasse em volta de mim. Fixei o olhar no rosto dele e então enxerguei aqueles olhos muito azuis que me olhavam aflitos. Só então lembrei que eu realmente o conhecia, mas não do carnaval do ano anterior e sim dos verões de quando eu ainda tinha 14 ou 15 anos. Lembrei que eu via aquele rapaz bonito na porta da casa que ficava no início da minha rua.
Impossível descrever o quanto fiquei envergonhada. A minha dificuldade para memorizar a fisionomia das pessoas, associada ao grau etílico mais elevado, acabou por me colocar nessa situação tão embaraçosa.
Não lembro o que falei depois disso. Continuei com ele e acabamos trocando alguns beijos naquela noite. Ele foi me levar em casa depois do baile e eu não precisei dizer onde eu morava. Márcio era um rapaz muito legal, chegamos a nos encontrar no Rio porque ele se prontificou a fazer um estudo detalhado da minha coluna – acho que ele era fisioterapeuta. Mas ele estava namorando outra pessoa e a gente acabou se afastando.
Que pena!

5 comentários:

  1. Li e entrei na sua história. Realizei cada detalhe que relatou. ADOREI!! ;) Bjo. Rosangela Quintanilha

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  2. Eu sou dessa época aí.Por acaso tu tem um irmão chamado Eduardo?

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    1. aha, então é isso mesmo.Meu irmão outro dia comentou que entrou na internet e pesquisou sobre Muriqui (não sei bem porque, talvez saudosismo ou curiosidade) e comentou que tinha visto umas fotos com a "miss muriqui".Então no feriado, lembrei e resolvi ver, pois achava que a irmã do meu amigo Eduardo tinha disputado.Pelo que me lembro, seu nome é Marcia, confere?Caramba, achei muito legal a sua iniciativa e lendo, me transportei , foi como uma viagem no tempo, pois aquela época marcou muito todos que estavam lá.Bom , eu sou o Carlos, filho da Cely e do Acilio, amigo do(s) seu(s) irmão(s), Esuardo e Edinho.Como vão eles e seus pais?Grande beijo em todos!Pelo que vi, você tem varias outras historias, só li essa, mas pretendo ler as outras também.

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    2. Oi Carlos!! Que legal encontrar vc! Adoraria ter notícias suas e de sua família! Mande seu e-mail em outro comentário que eu não publico aqui e aí podemos trocar mais informações. Eduardo está morando em Brasília, Edinho mora aqui no Rio mesmo. Como estão seus pais? abraços!

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