No final do ano de 1982, na festa de final de ano do BNH fiquei sabendo por um colega que trabalhava na engenharia, que Guilherme tinha acabado o namoro com a Márcia (vulgo Mortícia). Foi o suficiente para a paixão retornar de forma avassaladora. Assim, busquei formas de provocar encontros em festas para criar condições de me aproximar dele.
Em janeiro, surgiu então a idéia de promover uma festa na recém reformada boate Apocalypse, do Hotel Nacional, em São Conrado. Juntamente com minha amiga Márcia, reservei o aluguel da boate para a noite de 19 de janeiro de 1983, véspera de feriado no Rio. Daí em diante foi uma correria para fazer os convites, conseguir patrocínio fazer a festa acontecer. Vendemos cerca de 400 convites que davam direito a salgadinhos e bebidas à vontade, inclusive Scoth. O nome da festa foi: “Quem Não Dançar, Dançou”.
Deu um trabalhão para organizar tudo e conseguir vender tantos convites – mas a festa foi um SUCESSO! Casa lotada e.... Guilherme presente. O trabalho todo valeu porque alcancei meu maior objetivo. Ficar com Guilherme. Foi nessa festa que aconteceu nosso primeiro beijo.
Nunca vou esquecer a sensação que senti. Passei o verão apaixonadíssima, mas Guilherme estava um pouco traumatizado pelo que passou enquanto namorado da "Mortícia". Ela era uma mulher tirada a esperta e Guilherme era meio ingênuo, custou a perceber as armações que ela aprontava. Por isso, depois dessa decepção, ele procurava uma mulher mais calma, ingênua e confiável.
Só que eu não sabia disso, e apesar de me encaixar no perfil que ele estava buscando, fiz o maior esforço para passar a imagem de mulher descolada.
Ele ficou confuso, pois aquela Márcia Cristina que ele encontrava de vez em quando pelas noites cariocas, não combinava com a menina bobinha que escrevia cartas de amor anônimas e que levava quindim para ele comer no trabalho.
Nessa época, ele me contou que a perua da ex-namorada tinha rasgado todas as cartinhas que eu havia mandado e perguntou se eu teria as cópias. Confessou que amou receber cada uma das cartinhas "anônimas" e que gostaria de recebê-las novamente. Sim, eu tinha cópias e voltei a rotina de enviá-las pelo correio.
Por essas voltas que o mundo dá, Guilherme marcou férias para o mês de março, quando nossa relação começava a ficar mais próxima e "quente", e viajou para a Europa.
Na véspera da viagem eu estive com ele e trocamos muitos beijos dentro do meu carro.
Mas a viagem, que durou mais de 30 dias, esfriou tudo.....(snif, snif).
Apesar de ter sido a primeira pessoa do BNH a receber um cartão postal dele de Madrid, sua primeira parada na Europa, quando ele chegou à Roma, encontrou uma ex-namorada que seguiu com ele para Mikonos, na Grécia. Ele não reatou o namoro com ela, mas curtindo aquele paraíso e os outros locais que ele visitou, acabou esquecendo o que começava a sentir por mim. Anos depois, ele chegou a me dizer que durante o voo para Europa, estava pensando em assumir namoro comigo.....
A outra experiência como promoter aconteceu mais de 3 anos depois.
A festa aconteceu no Studio C, que era a boate do Othon Hotel, em Copacabana.
Essa festa teve o tema relacionado com o nome da boate e a umas coinciências relativas à letra "C" : “1986 – O ano do C”. Era o ano em que foi implantada no Brasil a moeda chamada Cruzado. Era também ano de Copa do Mundo, e ainda combinava com outras peculiaridades brasileiras/cariocas, como o Carnaval. Havia também “C’s” que estavam na moda, e que eu não lembro mais.
O convite falava que seria servido cerveja, campari, chope, cachaça, caipirinha, champagbe, canapé, coxinha, croquete e coca-cola.
Marquei a festa para o final de novembro. Convites prontos, alguns já vendidos e, de repente, no dia 23 de novembro, o governo federal decretou a extinção do BNH
E era no BNH que eu vendia boa parte dos convites. Penso não ser difícil imaginar que a extinção do banco, e a ameaça de desemprego, provocou muita tristeza em todos que lá trabalhavam. Um verdadeiro luto! É claro que nessa situação, todos os convidados desistiram de comparecer à festa e devolveram o convite.
Foi um drama! Eu, que estava sofrendo com o fim do BNH (tinha febre nervosa todas as noites e perdi 5 Kg em menos de duas semanas), fiquei ameaçada de ter que arcar com enorme prejuízo porque não tinha como cancelar a festa sem pagar multas, além dos gastos com decoração e convites que já haviam sido pagos.
Vendo meu desespero, meus irmãos e meu então namorado Leonardo, ajudaram a vender os convites e, felizmente, conseguimos um número suficiente de pessoas para cobrir os custos.
Eu nem estava com espírito para festas, mas tive que me produzir, colocar um sorriso no rosto e tentar aproveitar o máximo possível.
No auge da agonia, fiz uma promessa para não sofrer maiores prejuízos: jurei que nunca mais organizava festas para vender convites e ganhar algum dinheiro. Foi o fim de minha rápida carreira de "promoter".
Eu fui DJ dessa boite de 85 até fechar em 89 lembro vagamente da sua festa, depois de lá toquei em outras casas mas o Studio C era especial, anos depois encontrei com o gerente Brasiliano, lembra?
ResponderExcluirvc tem fotos do studio? se tiver me manda por e-mail.
Abs.