quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Mudando da Tijuca para o Corte do Cantagalo

Depois que comecei a trabalhar no BNH e a sair com a Márcia, o fato de morar na Tijuca começou a me incomodar. Por causa da distância, todos os finais de semana eu me mudava para a casa da Márcia – só que o apartamento dela não tinha garagem, um transtorno em se tratando de Copacabana. Além disso, minhas novas amizades no banco moravam quase todas da zona sul.
Perturbei tanto o juízo de minha mãe que ela resolveu defender minha causa e começamos a procurar apartamento na Zona Sul. Meu pai e irmãos foram contra. Eduardo e Edinho estavam bem adaptados à Tijuca e, se tivessem que mudar, preferiam a Barra. Papai, a muito custo, foi seduzido pela idéia da mudança, mas cada apartamento que eu e mamãe conseguíamos convencê-lo a visitar era motivo de discussão: ele nunca concordava.
Um dia, um domingo ensolarado, papai mesmo viu no jornal o anúncio de um prédio que acabara de ficar pronto na Av. Henrique Dodsworth, 64, bem no Corte do Cantagalo (o Corte do Cantagalo é uma passagem que liga Copacabana à Lagoa Rodrigo de Freitas).
Vimos o anúncio e percebemos que tratava-se de um imóvel de valor muito, mas muito superior ao do apartamento que nós morávamos, na Rua Haddock Lobo, e também quase três vezes maior do que o valor de imóvel que eu e mamãe estávamos procurando.
A diferença é que a forma de pagamento era muito facilitada, assim como o valor financiado pela CAIXA que juntava duas operações de crédito para o mesmo imóvel (SFH e Hipotecário). Saímos de casa para ver o apartamento e qual não foi nossa surpresa quando papai fechou o negócio.
Parecia um sonho! A varanda dava de frente para o morro e a gente podia ter uma boa vista do mar de Copacabana e da Lagoa Rodrigo de Freitas. O prédio tinha piscina, sauna e quadra de futebol, sendo que a área de lazer ficava em cima do morro e era necessário subir uma enorme escadaria para chegar até la, mas a vista que se tinha lá de cima era maravilhosa.
O apartamento tinha uma grande sala de estar e jantar, três quartos (pequenos), dois banheiros e lavabo – uma beleza para nosso padrão até então.
Mudamos em maio de 1982. Por incrível que pareça, apesar de ter sido eu a pessoa mais feliz da família com a mudança de bairro, quem mais aproveitou a localização desse apartamento foi papai. Ele, tão logo se aposentou, aderiu ao costume de caminhar na Av Atlântica ou em volta da Lagoa, além de curtir as comprinhas diárias de frutas e legumes no comércio da redondeza.
Com o tempo, Eduardo e Edinho passaram a gostar muito de morar ali e a família ganhou mais espaço e mais comodidade.

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