Mal cheguei à SECOM - Secretaria de Comunicação Social do BNH, vinda do Departamento de Planejamento, saí de férias.
Viajei com mamãe para conhecer Salvador, Recife e Natal. Essa viagem sacramentou o fim do namoro com Ronaldo.
Conheci Ronaldo na ACAPX e namoramos por alguns meses. Era bem alto, moreno, bonitão, tinha 33 anos, um ótimo senso de humor e trabalhava como propagandista do laboratório Ciba Geygi.
Ronaldo era um homem absolutamente ciumento e possessivo. Brigamos muito porque quando eu precisava trabalhar até mais tarde ele achava que era pretexto do meu chefe para ficar mais tempo do meu lado. Ele achava que eu não deveria ter vontade de viajar nas férias sem a companhia dele – só que ele não podia tirar férias e meu pai não me deixaria viajar com um namorado. Assim, dei fim ao namoro e embarquei com mamãe.
Em Salvador, ficamos hospedadas na casa da Marisa, uma prima que eu não conhecia muito bem e que na única vez em que convivemos, no carnaval de 1976 em Muriqui, juntou-se com minha outra prima Elaine para me sacanear. O tempo passou, ela estava recém casada e nos recebeu com carinho. Eu tinha paixão por Salvador, mesmo antes de conhecer a cidade, por causa das muitas paisagens que havia visto em filmes e novelas, especialmente na novela “Verão Vermelho”, quando era ainda criança.
Adorei a cidade. Eu e mamãe conhecemos os pontos mais famosos.
Lembro que o acesso às praias da orla era por uma estradinha de mão dupla e sem acostamento e que o coqueiral de Piatã era maior e mais bonito do que é agora.
No dia em que marcamos o passeio pela praia, fomos para o Othon Hotel, em Ondina, esperar o transporte que nos levaria juntamente com um grupo de turistas. Nos enganamos com o horário e chegamos com uma hora de antecedência. Nessa época não existia o Ondina Apart Hotel, cuja construção criou um verdadeiro muro que prejudicou muito a vista do Othon, que nessa época dava de frente para a praia. Para fazermos hora, fomos passear e fotografar a praia de Ondina.
Eu estava vestindo calça comprida, sapato fechado e blusa de manga comprida. Era julho e não estava muito quente, além disso,o tempo estava meio chuvoso. Como a areia estava dura, fomos caminhando pela beira mar. Avistamos uma formação rochosa com uma piscina natural que existe do lado direito da praia. A maré estava baixa e resolvi ir até lá para tirar uma foto pegando a praia do ângulo a favor do sol da manhã, que nasce no mar.
Quando lá chegamos, havia um grupo de pessoas ocupando a parte mais alta da formação de pedras e resolvi esperar que eles saíssem para então subir e fotografar. Eles demoraram um pouco e quando eu finalmente consegui chegar até lá, vi uma onda enorme que vinha em minha direção.
Saí correndo, passei por mamãe, que estava parada mais atrás de mim, avisando que vinha uma onda grande. Não deu tempo de reagir ou fugir. A onda tomou conta das pedras, encheu a piscina e me fez escorregar nas pedras. Caí de cara no chão.
Por sorte, consegui manter a máquina fotográfica fora da água, mas me molhei toda, ralei o joelho e fiquei com a calça molhada e puída, e com os sapatos encharcados. Voltei para o hotel muito sem graça.
Na Lagoa do Abaeté, muito mais bonita do que é hoje porque praticamente não havia construções ao redor, fomos abordadas pelas ciganas, que levaram um dinheirinho da mamãe. Quase que caí naquela armação também, mas mamãe me avisou e guardei minha grana.
Comemos acarajé em Piatã, fomos à Igreja do Senhor do Bonfim, Mercado Modelo, Pelourinho, Farol da Barra, enfim, conhecemos o básico de Salvador.
Seguimos para Recife e tive a oportunidade de conhecer tios e primos da mamãe. Ficamos na casa do Tio João – que já estava cego por causa da diabetes. Toda a família se revezava na tarefa de nos mostrar os encantos de Recife; uma hospitalidade maravilhosa!
Lembro da esposa atenciosa do Tio João, a Tia Lourdinha, assim como da Tia Maria – que nos levou para conhecer o centro do Recife e suas inúmeras igrejas, além do Tio Antônio e Tia Lúcia, que vi muito rapidamente.
Conhecemos Itamaracá, Boa Viagem e a praia de Piedade, onde eles tinham uma casa de praia. Vendo o litoral sul de Recife nos dias de hoje, mal dá pra acreditar que naquela época era tudo tão diferente.
Seguimos então para Natal, onde ficamos hospedadas na casa de Marly e do marido, Wellington, um casal que mamãe conheceu em Muriqui e que haviam sido transferidos para Natal.
Passeamos muito na ainda pequena cidade. Ponta Negra era uma praia distante, assim como Pirangi e seu “maior cajuzeiro do mundo” que ficava no meio do nada. Tenho a impressão que a famosa duna de Genipabu era bem mais alta em julho de 1981.
De volta ao Rio, ainda no aeroporto, recebi uma notícia maravilhosa. Papai foi me buscar com um telegrama na mão que comunicava que eu havia sido sorteada no consórcio de automóveis.
Assim, passei a rodar com um carro só meu, um Chevette Hatch 1981, na cor bege.
Quando voltei de Natal, fui procurada por Marcus Vinícius que me contou ter ido à Natal na esperança de encontrar comigo. Fiquei pasma! Ele pegou um avião do Rio a Natal sem sequer saber onde eu estava hospedada. Ficou percorrendo praias, bares e restaurantes de Natal atrás de mim. Pode? Evidentemente, não me encontrou e perdeu a viagem. Como ele trabalhava na VARIG, não deve ter tido prejuízo.
Nosso namoro havia terminado havia mais de seis meses e eu nem pensava mais nele. Acho que, percebendo que tinha me perdido de vez, ele se descobriu apaixonado e tentava recuperar o espaço perdido. Até em noivado e casamento ele falou! Aquilo parecia surreal; eu tinha sido tão apaixonada por ele...mas....tinha passado!
Eu não sentia mais nada por ele. Marcus ficou me procurando durante muito tempo. Aparecia nos lugares quando eu menos esperava. Até no carnaval de Muriqui ele apareceu e tive que usar de soluções não muito agradáveis para fazê-lo entender que eu não estava mais interessada em namorar com ele. Confesso que fui mais dura do que gostaria, mas não estava disposta a perder meu carnaval, afinal estava no esplendor dos meus 22 anos.
Marcus voltou a me procurar em outras ocasiões. Em 1985, quando lancei um livro, resolvi mandar um convite para a noite de autógrafos. Ele foi e passou boa parte da noite alugando minha atenção e me impedindo de dar atenção a outras pessoas.
Em 1996, quando eu já morava em Salvador, encontrei com ele por acaso num vôo Rio-Brasília. Sentamos lado a lado e, por educação, dei meu telefone – afinal, éramos velhos conhecidos e muitos anos haviam se passado desde o último encontro.
Pois o homem não apareceu pouco tempo depois em Salvador me convidando para jantar?
Mais uma vez, por educação, aceitei o convite. A conversa não foi desagradável, mas a energia do encontro não foi legal; cheguei em casa exausta!
Logo depois ele apareceu de novo em Salvador, e aí eu arrumei uma desculpa e não aceitei o convite. Foi a última vez que tive contato com ele.
Nenhum comentário:
Postar um comentário