domingo, 19 de setembro de 2010

Brigando na faculdade kkkkkk

Em dezembro de 1977, papai trocou meu velho carro 1972, uma Variant de placa PZ0906 por um fusquinha branco zero Km. Até hoje lembro a placa dele RS6076, aliás, meu pai, irmãos e eu tenho o hábito de memorizar as placas dos nossos carros.

Lá ia eu diariamente, toda arrumadinha, com meu fusquinha para a faculdade que ficava há uns 30 km de distância. Saía de casa às 6h30min da manhã para conseguir uma boa vaga no estacionamento para meu carrinho novo.

Tomava café na faculdade, geralmente um hambúrguer com suco de laranja enquanto conversava com a Fátima, namorada do Robson primo do Jorge. Além da redução de atividade física depois que passei a andar apenas de carro, penso que esse café da manhã diário foi outra das razões pelas quais comecei a ganhar peso.

Morávamos na Rua Haddock Lobo, 396, próximo ao Largo da Segunda-Feria. Todos os dias, quando saia da garagem para ir à faculdade, eu dava uma “pequena roubada” para entrar na Rua Professor Gabizo, ganhando alguns minutos que seriam gastos caso eu fizesse o trajeto correto. Nessa época, havia um guarda de trânsito no sinal da Rua Haddock Lobo com Professor Gabizo que tinha um cachorro que lhe acompanhava o dia inteiro. A cada sinal fechado, o guarda atravessava a rua e o cachorro o acompanhava.

Um dia, estava eu dando a minha “roubadinha” matinal quando o guarda apareceu na minha frente e me fez parar, cobrando a manobra errada. Eu, muito sem graça, pedi desculpas e disse que eu estava atrasada para a faculdade e que por isso, naquele dia, estava fazendo aquele “atalho”. Ele me olhou bem sério e disse:

- Ah..é só hoje? - Eu confirmei com a cabeça e ele emendou:- Engraçado, então você deve andar sempre atrasada porque todos os dias eu vejo você fazendo a mesma coisa.

Minha reação foi apenas dar aquele sorrisão amarelo de quem acabou de ser “pega na mentira”. Ele deu tapinha no carro e disse:

- Vai. Pode ir.

Pronto, estava dado o álibi para a continuidade da manobra até o final do curso!

Na Faculdade eu continuei sendo boa aluna. Na verdade, sempre fui disciplinada, tanto na faculdade quanto mais tarde no trabalho e nas minhas atividades de uma maneira geral, inclusive as atividades esportivas. Nunca tive maiores dificuldades em fazer provas e trabalhos. Aliás, para ser franca, carreguei algumas colegas nas costas.

Uma delas chamava-se Hermínia, uma falsa loura, de olhos verdes e sem nenhum vestígio de bunda (tinha menos do que eu!). Estava sempre bem vestida, super maquiada e cheia de jóias ou bijuterias. O que tinha de vaidosa tinha também de burra (desculpem a sinceridade...) Essa perua nunca fazia nada nos trabalho da faculdade, ficava implorando cola durante as provas e o pior é que ela sequer conseguia escrever de forma diferente aquilo que lia na minha prova. Outra colega, a Maura, precisava ditar para ela a resposta depois de reescrever o texto.

Uma ocasião, eu marquei hora com meu tio na Rádio Jornal do Brasil para entrevistar uma pessoa da área administrativa. Nesse dia, ninguém podia ir comigo e mais uma vez lá fui eu fazer o trabalho sozinha. Dias depois eu precisei voltar na rádio apenas para pegar um material que ele havia prometido e Hermínia cismou de querer ir comigo. Eu expliquei que não valia a pena porque a entrevista já tinha rolado dias antes e que naquele dia era apenas para pegar umas cópias. Além disso, se ela fosse comigo, eu teria que levá-la em casa, no Grajaú, porque só eu tinha carro. Sair da Gama Filho pra ir até a Av. Brasil, onde ficava a rádio JB e depois voltar ao Grajaú para deixá-la não fazia sentido. Afinal, repito, eu precisava apenas pegar um material para embasar o trabalho escrito. Para isso ela não se ofereceu.... Expliquei e ela não chegou a insistir.

No dia em que entreguamos o trabalho, com o nome de todas as integrantes do grupo, percebi que outros grupos estavam também apresentando seus trabalhos para a turma. Perguntei à professora se era necessária a apresentação e ele disse que não, mas que obviamente contribuiria para melhorar a avaliação. Conversei com o grupo e apresentei o trabalho sozinha. No final da apresentação o professor perguntou meu nome e anotou.

A malandra ficou uma arara! Dizia que, se era trabalho de grupo, ninguém poderia ter privilégios (!), que eu não deixei ela ir comigo na Rádio JB, que caso a nota dela fosse menor que a minha ela iria falar com a professora, e mais um monte de bobagens que por pouco não me tiraram do sério.

Engoli o sapo, mas realmente não tinha mais vontade de conversar com aquela “anta”.

Foi no final do segundo ano que a coisa pegou entre a gente.

Precisávamos apresentar um áudio-visual sobre arte popular como trabalho de final de ano de uma das matérias e, para variar, a malandra não tinha feito nada. Tínhamos hora marcada no estúdio para sincronizar os “slides” com o texto. Estávamos sentadas em volta de uma mesa, com dezenas de fotos para serem organizadas. O tempo era bastante curto para finalizarmos o trabalho. A perua, além de não ajudar, sentou-se numa poltrona e deu de conversar com um outro colega do curso que não fazia parte do grupo e nada tinha a ver com o trabalho.

Dentro de um estúdio a acústica é apurada e, portanto, a conversa dela estava atrapalhando nosso trabalho. Por duas vezes pedi a ela que fizesse o favor de parar com o papo ou que fosse conversar lá fora. Era final de ano, um calor daqueles no bairro da Piedade e é claro que ela preferia ficar na agradável refrigeração do estúdio.

Ela não só continuou com o papo como depois que chamei a atenção pela terceira vez, agora de forma mais rude, começou a me sacanear dizendo para o colega que eu estava muito “nervosinha”. Ela continuou debochando do meu estresse e acabei perdendo a paciência. Pulei por cima da pequena mesa onde os slides estavam sendo organizados e parti para a agressão física em cima dela.

Infelizmente me seguraram e eu não consegui dar sequer um empurrãozinho...

Que pena! Até hoje lamento não ter dado uns tabefes naquela folgada.

No semestre seguinte, proibi Hermínia de ficar no mesmo grupo que eu. Informei ao grupo que se elas insistissem na presença dela eu procuraria outros companheiros. Pergunta com quem as outras colegas escolheram ficar? A perua teve que arrumar outro grupo.

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