Em julho de 1974 a Márcia Berino me apresentou à sua família curitibana. Todos os anos, no mês de julho o Rio de Janeiro costumava ser invadido por uma enorme turma de curitibanos. Podem acreditar, o Rio de Janeiro era mesmo ainda mais maravilhoso!
Tia Myrthes e os filhos Luis Fernando Filho (Gô), José Carlos (Kalo), Luis Carlos (Bebê), Maria Cristina (Teia) e Fernando Carlos (Nando)mantinham um apartamento em Copacabana para fugir do inverno paranaense. Junto com eles chegavam dezenas de jovens de Curitiba para curtir a cidade maravilhosa.
Frequentei a praia com eles nos primeiros dias das férias, mas depois fui para Muriqui. Alguns deles foram com a gente, numa viagem de ônibus muito desconfortável. A Téia não estava se sentindo bem e parte deles logo voltou para o Rio. Mas ficaram por lá o Paulinho, o Salomão e o Glay.
Paulinho e Elaine "ficaram" e ele não escondia que estava mesmo muito a fim de namorar com ela....mas ela não estava muito a fim não....Paulinho e os amigos ficaram mais um pouco em Muriqui mas acabaram decidindo ir embora de trem. Só que, ainda em Muriqui, Paulinho mudou de idéia e pulou do trem em movimento!!! E os amigos também pularam!! Eles apareceram de volta em Muriqui e foi uma enorme surpresa. Mas, para tristeza do Paulinho, a Elaine não quis mais ficar com ele. Nunca me esqueço da gente sentada numa mesa do Bar da Praia, cercadas de rapazes cariocas (uma turma de Botafogo) e Paulinho enconstado no balcão do bar tomando "rabo-de-galo", uma bebida fortíssima, porque Elaine o viu chegar e não se levantou para falar com ele. Uma situação muito chata que terminou com uma conversa dos dois e o fim do rápido namoro.
Todos os anos, os rapazes de Curitiba chegavam ávidos por conhecer as cariocas (que tinham fama de serem mais “fáceis” do que as curitibanas) e freqüentavam bares e boates da moda. Como a Márcia era prima deles, estávamos sempre incluídas nos programas.
No feriado da Semana Santa de 1976, fui com a Márcia Berino para a casa da Tia Myrthes em Curitiba. Tia Myrthes é tia da Márcia, mas todos os amigos dos cinco filhos dela a chamam até hoje de tia. Foi a primeira vez que viajei de ônibus leito.
A casa da Tia era um lugar muito especial, um verdadeiro clube informal onde havia sempre muito movimento, muita gente bonita, um bom papo, muita risada. Uma festa.
Ela morava num grande apartamento no centro da cidade. Na verdade eram dois apartamentos de três quartos que ela transformou em um apartamento de seis quartos. O movimento era tanto que na maior parte do tempo a porta ficava apenas encostada. Era um entra e sai de gente o tempo todo. Todas as noites, sempre tinha uma mesa de jogo de cartas num canto, um outro pessoal tocando música no piano e violão, ainda um outro grupo conversando e uma mesa de lanche pra muita gente.
Os primos da Márica conheciam muita gente na cidade. Curitiba era uma capital ainda muito pequena nessa época. Eles freqüentavam o clube mais chique da cidade, o Curitibano, e eram citados frequentemente na principal coluna social do jornal Gazeta do Povo – Dino Almeida.
Aproveitamos muito esses dias em Curitiba. Era uma vida diferente da que levávamos no Rio, com alguns costumes de cidade pequena onde todos se conhecem.
Fomos a uma boate - a Flash, e lá fiquei com Irineu Antunes, um gatão estudante de medicina com quem troquei uns beijinhos. Ele tinha um Maverick V8 amarelão com faixas pretas que era um escândalo, mas na época era o máximo. Fiquei encantada com ele.
Estivemos no Baviera, um restaurante localizado no porão de uma casa no centro de Curitiba onde comemos um delicioso calzone. Como estava muito frio e esse restaurante tem paredes de pedra e forno a lenha, o ambiente fica quentinho e foi uma dos locais mais agradáveis que conheci. Até hoje, setembro de 2010, o Baviera permanece funcionando mais o menos da mesma maneira.
Em julho de 1976 eu fiquei de namorico com um dos rapazes, de nome Carlos Adalberto, mas que todos o chamavam de “Caçapa” (não é necessário dizer porque). Minhas primas Elaine e Rosangela já tinham trocado beijos e amassos com Paulinho e Glay (respectivamente), mas eu, exceto pelos beijinhos trocados com Irineu, ainda não tinha namorado nenhum deles.
Caçapinha era uma gracinha, um cara divertido, bonito e carinhoso. Começamos um namoro rápido porque ele estudava engenharia em Itatiba, interior de São Paulo e não tardaria a ir embora. Durante algum tempo em troquei cartas com ele, mas o namoro logo terminou porque o Jorge Roberto, que tinha estado por seis meses fazendo intercâmbio nos Estados Unidos, estava retornando ao Brasil. Ainda cheguei a sair com o Jorge e seus primos juntamente com o pessoal de Curitiba, Caçapinha no meio....ai ai ai...coisa boa essa fartura da adolescência! Tive que me esforçar muito para que Jorge não se desse conta de que eu estava "ficando" com o Caçapa. Lembro de uma vez que Caçapa foi me levar no ponto do ônibus em Copacabana e Jorge estava me esperando no ponto do ônibus no Maracanã kkkkkk
Foi depois de uma noite com os dois no Castelinho, em Ipanema, onde troquei beijos com o Caçapa, que o Jorge decidiu finalmente me pedir para namorar a sério. Tem homens que só acordam quando percebem a ameaça.
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