sábado, 8 de maio de 2010

Histórias de Edison e Maria 2

Quando morávamos no Corte do Cantagalo Edinho começou uma criação de periquitos. No começo ele dava a maior atenção para os bichinhos, mas com o tempo, foi relaxando. Periquitos acordam muito cedo e têm a mania de cantar muito alto logo pela manhã. Assim, que pretende dormir até mais tarde, é obrigado a conseguir embalar o sono com o canto (ou gritos?) dos passarinhos....é claro que a maioria das pessoas não consegue.
Incomodados com a barulheira que os periquitos faziam e percebendo que Edinho estava mais ocupado com outras coisas, papai combinou com um amigo, dono de um sítio em Cambuquira, de dar o viveiro e os periquitos para ele.
Nessa época, eu tinha uma Parati branca que papai pediu emprestado para levar os periquitos para o sul de minas.
Como a gaiola era um pequeno viveiro de pássaros, era grande o suficiente para não caber em qualquer carro. Assim, foi preciso abaixar o banco de trás da parati para criar um espaço maior. A gaiola teve que viajar deitada com os periquitos dentro. Tudo transcorreria muito bem se papai no tivesse esquecido de travar a portinha da gaiola.
No meio do caminho, com o balanço do carro, a porta da gaiola deslizou e alguns passarinhos escaparam. Papai fechou as janelas e continuou a viagem com os periquitinhos soltos dentro do carro.
O tempo estava quente e eles resolveram ligar a ventilação da parati. Nessa época era raro um carro com ar-condicionado, mas os carros da volks ofereciam ar quente. Como meu pai não tinha intimidade com o painel do meu carro, ao ligar a ventilação ele antes alterou o botão da temperatura do ar, comandando a emissão de ar quente. Continuando a viagem, a temperatura dentro do carro começou a subir.
Mamãe reclamava do calor excessivo, mas eles não podiam abrir a janela porque os pássaros seriam atingidos pelo forte vento e provavelmente escapariam.
Continuaram a viagem suando em bicas e com os pés sendo torrados pelas saídas de ar que ficavam na parte de baixo do painel. Conta papai que, olhando pelo retrovisor, reparou que até os passarinhos estavam muito quietos e mantinham as asinhas semi-abertas. O calor estava mesmo insuportável!!!
Chegou um momento em que minha mãe não aguentou mais e disse que se meu pai não parasse o carro para ela beber um pouco de água, ela abriria a janela de qualquer maneira, pouco se importando com o destino dos passarinhos.
Ele reclamou muito, mas acabou concordando em parar para comprar água gelada.
Quando eles abriram as portas com todo cuidado para manter os bichinhos dentro do carro, perceberam que a temperatura externa estava deliciosa, fresquinha, nada parecida com o calor que sentiam dentro do carro.
Papai achava que o dia estava quente, não se deu conta de que o aquecimento do carro estava ligado e por isso eles viajaram vários quilômetros assando dentro do carro.
Depois de se refrescarem com água gelada, ele acabou entendendo como funcionava a ventilação da parati e desligou o comando de ar quente, mantendo apenas a entrada de ar externo. Os passarinhos chegaram bem em Cambuquira e foram resgatados para dentro da gaiola.

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