Minha professora era a Tia Cely, por quem eu nutria um forte sentimento de admiração. Ela era muito bonita e elegante.
Foi onde aconteceu meu primeiro envolvimento com o sexo oposto. O nome do menino era Alexandre Castanheira, e nós éramos namorados. Sentávamos sempre juntos e circulávamos pelo recreio de mãos dadas. Eu já tinha bom gosto – ele era um gatinho.


Lembro de grandes festas nesse colégio. Foi lá que me vestiram de anjo por duas vezes, sendo que em uma delas foi para uma missa na Igreja da Candelária. Além da tradicional Caipira, fui a noiva numa das festas (acho que era em homenagem ao dias das mães) e na apresentação de final de ano imitei Rita Pavone cantando La Bamba.
Um “trauma” de infância aconteceu justamente na festa de final de ano do jardim do Instituto Menino Jesus. Diante de um teatro lotado na ABI, no centro do Rio, prepararam um show onde as "estrelas" eram as criança. Eu queria ter participado do número das dançarinas de Can-can, mas mudaram de idéia e eu fui escalada para emitar Rita Pavone - uma cantora italiana que fazia o maior sucesso nessa época. Apenas eu e uma outra menina que quase nunca aparecia na escola fazíamos parte do show. Mamãe recebeu a orientação de que a roupa deveria ser um macacão azul no estilo jardineira, com uma blusa branca por dentro, o tipo de roupa que Rita Pavone costumava usar. Orientaram para bordar a roupa com paetês, já que estaríamos num palco. Mamãe, que nunca teve vocação para artista plástica, bordou minhas calças com uns poucos balõezinhos coloridos. Quando encontrei com a outra menina, a diferença entre as roupas estava gritante! Impossível para uma criança de cinco anos não se sentir inferiorizada... A roupa dela era toda de cetim, bordada com paetês dourados no formato de plantas e a blusa tinha as mangas e a gola bordados com listras de paetês coloridos. Ela estava linda! E eu sumi ao lado dela.

Pelo menos, pra compensar um pouco, como ela nem aparecia nos ensaios, só eu tinha decorado o versinho recitado na abertura de nosso número:
“Imitar Rita Pavone?
Per que? Per que?
La bamba eu vou dançar
Para você, só para você”
Mamãe me fez repetir tantas vezes esse versinho – antes e depois da festa, que eu nunca mais esqueci.
Aos quatro anos, eu era "fãzérrima" do Trini Lopez.
Em 1965 passei para o segundo jardim na escola pública Bárbara Ottoni, que ficava na Rua Senador Furtado.
Tenho poucas lembranças desse colégio. Lembro apenas de um garoto jogando um vidro de tinta no meu uniforme e me fezendo chorar, além de algumas cenas como estar sentada ouvindo a professora contar estórias e perceber que estava sem calcinha. Na posição que eu estava, aparecia mais do que devia pela barra do shortinho; e eu notei o olhar curioso de um coleguinha. Quase morri de vergonha.
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