
Demorei muitos anos para conhecer Visconde de Mauá. Desde os anos 80 que ouvia falar dos encantos de lá: do clima de montanha, da natureza em estado bruto, dos rios cristalinos e das cachoeiras convidativas. Edinho frequenta Mauá a cerca de 20 anos e vivia elogiando, não apenas a cidade em si, mas as inúmeras pousadas com suítes equipadas com lareira, o ritual de saborear fondue a luz de velas saboreando um bom vinho. Uma visão romântica de tirar o fôlego.
Como deixei o Rio em 1988, acabei por adiar muito esse encontro com esse lugar tão mágico. Também porque gostaria de ter conhecido Mauá acompanhada de um amor, de preferência, um amor sincero e ardente. Mas.... nem tudo na vida é possível e o sonho da viagem com um amor ardente foi adiado (sou otimista!!!).
A viagem foi marcada de repente. Estava chegando o feriado de 21 e 23 de abril (esse é só aqui no Rio) e nem eu, nem meus pais tínhamos programado viajar. Edinho fez um churrasquinho na casa dele no domingo e comentou estar pensando em alugar uma casa em Mauá para passar o feriado porque a Glória, minha cunhada, poderia enforcar o dia 22 na empresa onde trabalha.
Qual não foi a surpresa quando papai autorizou que ele alugasse uma casa maior para irmos todos juntos!!! Digo surpresa porque ele sempre reclamou demais da estrada pra lá: quase 30 Km de terra batida serra acima. E ele reclamava quando tinha carros mais altos como Scenic e Meriva. Imagina agora que tem um sedan bem novinho?
Na segunda-feira o aluguel foi contratado em na quarta pela manhã seguimos para Visconde de Mauá.
Segundo Edinho a estrada nunca esteve tão ruim como agora, talvez por causa das chuvas intensas que castigaram o Estado do Rio no início de abril.
Foram mais de quatro horas de viagem e chegamos famintos. O almoço foi no restaurante de uma pousada que fica no centro de Maringá, "Coisas do Arco da Velha". Pra quem não conhece, a região de Mauá fica na serra da Mantiqueira, na divisa dos estados do Rio e Minas Gerais, que é delimitada pelo Rio Preto. Do lado do estado do Rio de Janeiro é composta de Visconde de Mauá, Maringá e Maromba. Do lado mineiro tem Bocaina de Minas, também conhecida como Maringá - MG. A região de Visconde de Mauá é um distrito que pertence a 2 estados e 3 municipíos : Itatiaia (RJ) , Resende(RJ) e Bocaina de Minas (MG). E, (Graças a Deus!!!)está localizada dentro de uma área de proteção ambiental.
Voltando ao almoço do primeiro dia, fiquei surpresa com a comida gostosa e farta e pelo preços inacreditáveis!!!! Além disso, como levamos nosso filhotes não humanos, foi permitida a entrada de meus gatos Edgar e Sangha, em suas respectivas caixinhas de transporte, e de Anita, uma cocker spaniel cor de mel, que portou-se como uma lady no restaurante.
A casa fica na beira do Rio Preto, ou seja, o quintal da casa oferece, além de piscina e um lindo gramado, a oportunidade de um banho em águas corrente e cristalina cercada por uma vegetação exuberante de altas árvores, incluindo o pinheiro característico do Paraná, as Araucárias.
O clima durante o dia estava agradabilíssimo e a primeira noite fez um frio gostoso que permitia assistir televisão com a lareira acesa. Pena que não conseguimos manter o fogo aceso porque a lenha estava úmida e não houve truque que resolvesse o problema...
No dia seguinte, após um passeio pela pequena Maringá, Edinho quis fazer mais um churrasquinho (afff...esse gosta de carne!!!). O bom da casa, além de agradável, charmosa e confortável, é que oferecia os serviços de uma empregada doméstica que limpava, arrumava e cozinhava!!
Foi aí que passei por um susto desesperador!!!
Resolvi tirar minha gatinha Sangha do quarto para que ela pudesse "curtir" um pouco a natureza tão privilegiada de Mauá. Coloquei uma coleira na bichinha para assegurar que mesmo que ela resolvesse saltar do meu colo, eu a teria sob controle.
Fiquei com ela no colo menos de dez minutos. Meu sobrinho Dinho se prontificou a ajudar a montar uma mesa de madeira para facilitar a acomodação de todos para o churrasco e deixou a mesa desarmar, fazendo um barulho alto. Foi o que bastou para assustar minha Sangha e ela pular do meu colo. Como eu estava de biquini pegando um sol, ela provocou um pequeno arranhão na minha coxa ou pular para o chão, mas ficou presa pela coleira. Aì, inadvertidamente, em vez de levantar logo da cadeira e pegar a gatinha, fiquei tentando puxá-la pela coleira. Só que ela estava de frente para mim e a coleira saiu porque gatos são mais flexíveis que cachorros e conseguem se desvencilhar das coleiras.
A gata saiu correndo pelo jardim e foi se esconder entre as hortênsias. Fiquei apavorada porque a casa era rodeada de cercas vivas, ou seja, sem muros e a gata poderia facilmente acessar a rua, a casa vizinha e desaparecer na mata. Pra piorar, com o susto coletivo, todos começaram a gritar e a correr para tentar achar a gata, o que a deixou ainda mais assustada. Corri feito tonta de um lado para o outro, olhando entre os arbustos e em baixo dos carros sem encontrar minha filhota. Desesperada, saí para a beira do rio. Foi quando papai a viu entre as hortênsias e deu o alarme, gritando. Ela se assustou e passou para a casa vizinha. Por sorte, ela veio na minha direção, mas havia uma cerca de arame farpado que separava essa casa da margem do rio. Felizmente me dei conta que se eu gritasse, tornaria a assustá-la. Comecei a chamá-la em um tom normal e ela parou ao me ver. Parou e ficou bem tranquila, apreciando a paisagem. E eu, olhando para ela, mas com a cerca de arame farpado entre nós duas. Titubebei por alguns segundos, mas resolvi passar pela cerca mesmo estando de biquini. Não sei como consegui, mas atravessei e segui quase me arrastando no chão, me movimentando de quatro, lentamente e falando com ela com relativa "calma". Ela continuou parada, como se estivesse esperando que eu a pegasse e felizmente eu consegui segurar minha gatinha. Apenas quando a tinha sob controle, em meu colo, gritei: "- Peguei", e todos respiraram aliviados. Voltei com ela no colo e rapidamente voltei a trancá-la no quarto. O churrasco foi servido em seguida, mas eu mal pude saborear porque a adrenalina que ainda circulava em meu sangue criou um "bolo" no meu estômago.
Outro susto foi quando fomos à Cachoeira do Escorrega. Um lugar muito lindo! Depois de fotografar a família e o lugar, me dei conta de que tinha perdido a chave do carro do meu pai.... Afff.... imagina a situação! O carro parado num lugar de acesso não muito fácil e sem ter como sair de lá. Imaginava o estado de humor do meu pai que já vinha lamentando os possíveis estragos causados pelo caminho cheio de buracos e pedras. Comecei a procurar a chave e nada de encontrar. Rezei a São Longuinho mas....nada! Depois de alguns minutos, uma moça me perguntou se eu procurava a chave de um carro e informou que havia visto quando uma outra mulher achou a chave e guardou na bolsa, subindo o rio com a chave. Dá pra acreditar? Alguém acha a chave de um carro num lugar desse e em vez de voltar para perguntar ou deixar em algum lugar onde pudesse ser encontrada resolve subir o rio com a chave na bolsa? Subi o rio com meus sobrinhos Dinho e Marina e felizmente encontramos a tal mulher. A vontade era de provocar, perguntando o que ela pretendia "escondendo" a chave, mas pensei que ela devia ter feito isso por pura ignorância e nada comentei.
Nessa noite, jantamos maravilhosamente no Le Petit, do famoso "Sapo", o dono do restaurante que gosta de ser chamado assim: Sapo. Sabe-se lá o nome de batismo dele....
No sábado Edinho resolveu alugar uma moto. Quando voltava pra casa acompanhado do meu sobrinho, que o seguia de bicicleta. Na ânsia de disputar com o pai, Dinho correu demais e se esborrachou no chão em um tombo feio. O passeio de moto foi interrompido antes de começar porque Dinho precisou ser atendido na farmácia com vários machucados no joelho, braços, mão....tadinho...ficou cheio de ataduras. Edinho devolveu a moto e fomos passear de carro mesmo.
Visitamos uma fábrica de chocolates e outra de velas. Eu e Glória ainda fizemos umas compras de roupas de ótima qualidade a preços muito interessantes.
No dia seguinte acompanhei Marina num passeio à cavalo. Coisa eu eu não fazia havia muitos anos. Que delícia cavalgar por aqueles caminhos entre montanhas e matas ao som do barulhinho da água dos rios encachoeirados.... Inesquecível!!!
Na noite de sábado, papai convidou a todos para irmos a um bar/restaurante chamado "Luz da Terra" que oferecia show de música ao vivo, com o cantor Zé Alexandre, parceiro de Oswaldo Montenegro e muito conhecido na região. Uma noite muito agradável com um repertório que agradou a todos, principalmente aos meus pais (exceto aos sobrinhos que dormiram após o jantar).
A viagem de volta foi tranquila e sem surpresas.
Certamente esse foi um dos passeios mais agradáveis que fiz em comapnhia da minha família. Nem senti muita falta do cobertor de orelha... Esse fica para uma próxima oportunidade...
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