Em 1985 meus pais decidiram fazer uma grande viagem pela Europa. Visitaram muitos países, inclusive a Grécia.
Mamãe programou a viagem com todo cuidado, pois era um sonho que ela chegou a achar impossível e que finalmente iria realizar.
Empolgada, comprou algumas peças de roupas novas, inclusive uma calça jeans da Dijon – uma marca cara e valorizada, embora, em 1985, já estivesse em decadência.
Ela ficou toda orgulhosa de sua nova calça comprada especialmente para a viagem.
Aconteceu que quando começou a preparar a mala da viagem ela não conseguia encontrar a calça da Dijon.
Foi um drama. Durante toda aquela semana ela se mobilizou para achar a tal calça. Lembrou que havia levado a calça para Rio das Ostras no final de semana anterior, quando ainda ficava hospedada na casa da minha tia Therezinha e pediu que minha tia verificasse se a calça estava nas coisas dela ou no carro e chegou a pensar em voltar a Rio das Ostras, que fica a cerca de 180 Km do Rio, para ver se a calça tinha ficado lá. Só não insistiu na idéia porque tinha quase certeza de ter visto a calça pendurada numa cadeira que existia em seu quarto já depois da viagem.
Todos os dias daquela semana, depois que meu pai saía para trabalhar, ela e a empregada esvaziavam os armários em busca da calça. Procuravam e procuravam novamente nos mesmos lugares. Vasculhou os armários de toda a família e nada de encontrar a calça.
Até que ela desistiu e chegou o dia do embarque.
Nessa época meu pai tinha um opala bege, quatro portas, já antigo e eu fui sozinha levá-los ao aeroporto. Papai dirigia o carro e parou para abastecer no posto de gasolina que fica em frente ao parque da Catacumba. Ele desceu do carro e ficou olhando para a bomba, o que deixou seu bumbum bem diante de meu campo de visão, já que eu estava sentada no banco de trás do opala.
Foi quando vi que ele estava usando uma calça da....? Bingo! Uma calça da Dijon. Perguntei a mamãe se ela havia comprado uma calça nova da Dijon para o papai e ela se assustou dizendo que não. Foi aí que descobrimos o mistério. Papai viu a calça em cima da cadeira e vestiu, como os dois usavam manequim 46, a calça coube perfeitamente nele. Papai, apesar de ser mais alto, usava a calça abaixo da cintura, o que compensou a diferença.
Assim ele passou a semana toda indo trabalhar com a mesma calça. Bastava papai sair de casa para mamãe iniciar as buscas e quando ele voltava, ela estava cansada e já tinha desistido de procurar. No dia seguinte, tão logo ele voltava a sair para trabalhar, ela recomeçava a busca.
Adivinha quem acabou ficando com a calça?
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