Numa das vezes em que ganhamos pintinhos na feira livre da Rua Vicente Licínio, meu pai achou por bem diferenciá-los para saber qual era o pintinho de cada um para evitar brigas entre os irmãos – que eram muito comuns.
Assim, os pintinhos tiveram suas patinhas pintadas com diferentes cores: o pinto de para azul era do Eduardo, as patinhas do pintinho do Edinho ficaram verdes e as patinhas do meu pintinho não foram pintadas. Era muito engraçado ver aqueles pintinhos correndo de um lado para o outro com as patinhas pintadas. Eles cresceram tanto que viraram galo e um dia minha mãe desapareceu com eles dizendo que tinham sido levados para a casa do Tio Zeca.
Na foto, nós e os pintos já crescidos (minha roupa era do pouco tempo em que fui bandeirante e o Eduardo foi lobinho....mas essa história eu conto depois)

Na área existente nos fundos de nosso apartamento, havia um jardim. Papai costumava revolver a terra para que as plantas se desenvolvessem e ficassem mais bonitas. Quando os pintinhos estavam lá, eles ficavam loucos de alegria, pois enquanto meu pai mexia na terra, as minhocas apareciam, e eles as comiam com voracidade.
Numa dessas vezes, um dos pintinhos, se não me falha a memória o de patinhas azuis, viu uma das pontas da minhoca na terra e meteu a cabeça para bicá-la, ao mesmo tempo em que meu pai dava outra batida com uma machadinha de madeira (enfeite de uma fantasia de índio do meu irmão Eduardo). A batida acertou a cabeça do pintinho, que cambaleou e caiu durinho.
Estávamos os três filhos em volta e começamos a gritar e chorar porque o pintinho permanecia imóvel, aparentando estar morto. Papai então pegou o pintinho nas mãos e jogou algumas gotas de água na carinha dele. Acreditem, o pintinho abriu os olhos! Quando voltou ao chão, saiu andando meu zonzo, cambaleando em zigue-zague, mas em seguida voltou a correr. Percebemos então que ele tinha desmaiado com a pancada que recebeu na cabeça.
Outra estória envolvendo um pintinho é mais trágica.
Mais uma vez chegamos em casa com pintinhos ganhados na feira. Um deles estava meio doentinho e na tentativa de salvá-lo, o colocamos numa Caixa de sapatos mais aquecida. O bichinho até que já estava se recuperando.
Edinho decidiu então colocar a Caixa de papelão de baixo do tapete da sala para garantir que ele ficasse mais aquecido.
Aconteceu que Eduardo chegou depois e achou que aquele relevo no tapete era uma das gavetas de madeira da máquina de costura da mamãe, que eles costumavam colocar debaixo do tapete a fim de criar algumas montanhas para brincar com as miniaturas de carrinhos de metal. Pensando que era uma das gavetas, ele subiu em cima e só ouviu o grito desesperado do pinto que morreu esmagado.
Quando ele ouviu o grito, rapidamente abriu a Caixa de papelão e se desesperou ao ver que o bichinho morto era justamente o dele. Ele chorou por muito tempo. Meu pai, com seu humor sacana, dizia que ele havia cometido um “pintocídio”.
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