domingo, 2 de maio de 2010

Já viu um pinto desmaiar?

Sinto saudades dos nossos pintinhos criados na área dos fundos do apartamento térreo da Rua Campos Salles.
Numa das vezes em que ganhamos pintinhos na feira livre da Rua Vicente Licínio, meu pai achou por bem diferenciá-los para saber qual era o pintinho de cada um para evitar brigas entre os irmãos – que eram muito comuns.
Assim, os pintinhos tiveram suas patinhas pintadas com diferentes cores: o pinto de para azul era do Eduardo, as patinhas do pintinho do Edinho ficaram verdes e as patinhas do meu pintinho não foram pintadas. Era muito engraçado ver aqueles pintinhos correndo de um lado para o outro com as patinhas pintadas. Eles cresceram tanto que viraram galo e um dia minha mãe desapareceu com eles dizendo que tinham sido levados para a casa do Tio Zeca.

Na foto, nós e os pintos já crescidos (minha roupa era do pouco tempo em que fui bandeirante e o Eduardo foi lobinho....mas essa história eu conto depois)

Na área existente nos fundos de nosso apartamento, havia um jardim. Papai costumava revolver a terra para que as plantas se desenvolvessem e ficassem mais bonitas. Quando os pintinhos estavam lá, eles ficavam loucos de alegria, pois enquanto meu pai mexia na terra, as minhocas apareciam, e eles as comiam com voracidade.
Numa dessas vezes, um dos pintinhos, se não me falha a memória o de patinhas azuis, viu uma das pontas da minhoca na terra e meteu a cabeça para bicá-la, ao mesmo tempo em que meu pai dava outra batida com uma machadinha de madeira (enfeite de uma fantasia de índio do meu irmão Eduardo). A batida acertou a cabeça do pintinho, que cambaleou e caiu durinho.
Estávamos os três filhos em volta e começamos a gritar e chorar porque o pintinho permanecia imóvel, aparentando estar morto. Papai então pegou o pintinho nas mãos e jogou algumas gotas de água na carinha dele. Acreditem, o pintinho abriu os olhos! Quando voltou ao chão, saiu andando meu zonzo, cambaleando em zigue-zague, mas em seguida voltou a correr. Percebemos então que ele tinha desmaiado com a pancada que recebeu na cabeça.
Outra estória envolvendo um pintinho é mais trágica.
Mais uma vez chegamos em casa com pintinhos ganhados na feira. Um deles estava meio doentinho e na tentativa de salvá-lo, o colocamos numa Caixa de sapatos mais aquecida. O bichinho até que já estava se recuperando.
Edinho decidiu então colocar a Caixa de papelão de baixo do tapete da sala para garantir que ele ficasse mais aquecido.
Aconteceu que Eduardo chegou depois e achou que aquele relevo no tapete era uma das gavetas de madeira da máquina de costura da mamãe, que eles costumavam colocar debaixo do tapete a fim de criar algumas montanhas para brincar com as miniaturas de carrinhos de metal. Pensando que era uma das gavetas, ele subiu em cima e só ouviu o grito desesperado do pinto que morreu esmagado.
Quando ele ouviu o grito, rapidamente abriu a Caixa de papelão e se desesperou ao ver que o bichinho morto era justamente o dele. Ele chorou por muito tempo. Meu pai, com seu humor sacana, dizia que ele havia cometido um “pintocídio”.

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