Mauro foi meu primeiro namorado mais constante. Antes dele tiva apenas um "rolo" com o Jorge que só tempos depois firmou namoro comigo.
Mauro frequentava minha casa na Tijuca quase diariamente. Ele era meu colega no Colégio Antônio Prado Júnior e todos os dias depois das aulas ele ia pra casa comigo e ficávamos horas trocando beijos muito "calientes" no sofá da sala. Mamãe passava para um lado e para o outro e, na maior parte das vezes, a gente nem se dava conta. Ela chegou a brincar dizendo que ia amarrar uns guizos nos tornozelos para ver se a gente se comportava melhor na frente dela.
Quando o verão de 1975 chegou, Mauro passou os dois meses comigo em Muriqui.
Na primeira vez que ele foi era um final de semana de dezembro e a cidade ainda não estava em ritmo de verão e, por isso, estava bem vazia.
Na noite de sábado fomos ao Country Club para a tradicional “boatinha” dos finais de semana. Nessa época eu não bebia nada que contivesse álcool. Mauro, apesar de ter apenas 15 anos, bebia cerveja ou “cuba-libre”. Nessa noite ele tomou apenas uma dose de cuba. De repente Mauro apagou ainda no clube. Ele começou a dormir no meio da boate e não havia nada que pudesse acordá-lo. Eu, inexperiente, fiquei sem coragem de pedir socorro e resolvi levá-lo para casa sozinha. Felizmente, apesar de desacordado, ele conseguia andar apoiado em mim. Carreguei aquele rapaz de mais de 1,80 m até em casa, distante cerca de um quilômetro do clube. Que sufoco!
Quando chegamos em casa, levei Mauro para o banheiro porque tinha receio que ele pudesse vomitar. Deixei-o sentado no vaso sanitário e fui chamar mamãe pra me ajudar. Como ela também não tinha a menor experiência em lidar com gente bêbeda, tiramos o sapato e a camisa dele e o pusemos na cama para dormir.
No dia seguinte, Mauro custou a acordar e quando acordou, demorou demais a levantar. Quando ele apareceu ba cozinha, estava com a calça jeans na mão e procura minha mãe para dizer que tinha feito xixi na cama. Mauro pediu ajuda a mamãe que colocou o lençol para lavar, molhou o colchão com água limpa e pôs no sol para secar.
Mauro contou que tão logo acordou se deu conta de que tinha dormido de calça jeans e que estava todo molhado abaixo da cintura. Pensou que houvesse alguma goteira no teto do quarto e que a água da chuva o tivesse molhado. Depois percebeu que não havia sinais de água no teto e ficou um tempo tentando encontrar uma resposta. Só depois se deu conta de que ele, um jovem rapaz de quinze anos, havia feito xixi nas calças enquanto dormia.
Da pra imaginar o constrangimento dele... Fazer xixi na cama na primeira noite em que se dorme na casa da primeira namorada....ninguém merece!
Ele diz que o trauma da adolescência dele é a lembrança daquele colchão exposto ao sol de Muriqui... Um dos maiores “micos” que pagou na vida.
Só tempos depois me dei conta de que o Mauro, provavelmente, não estava bêbedo. É quase certo que ele tenha sido drogado por alguém que colocou alguma coisa no copo dele sabe-se lá com que intenções. A cidade quase fazia era o cenário ideal para atitudes criminosas. Foi uma sorte que ele, apesar de cair no sono, tenha mantido um mínimo de consciência para caminhar até em casa.
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