Eu era ainda muito novinha quando a polícia esteve lá em casa no meio da madrugada, mas lembro-me de uma cena dessa ocorrência policial.
Corria o ano de 1965 quando mamãe acordou no meio da noite ao ouvir um barulho estranho que parecia vir da porta da sala. Acordou papai, que também ouviu o barulho e foi verificar. Ele abriu a porta da sala, que dava para o corredor de acesso à rua e nada viu. Voltaram a dormir, até que novamente o tal barulho os despertou. Dessa vez, ao abrir a porta, papai percebeu que havia no chão um bocado de serragem, resultado de uma raspagem feita na madeira da parte de baixo da porta, como que para abrir um buraco.
Assustados, imediatamente pensaram tratar-se de um ladrão que tentava entrar no apartamento cavando um buraco na porta. Apesar de parecer estranho, e de não ter telefone em casa, pediram socorro aos vizinhos para chamar a polícia.
Os policiais chegaram armados e com estardalhaço. Vasculharam todo o prédio, acordaram os moradores dos vinte apartamentos a procura do ladrão, mas nada encontraram. Concluíram que o ladrão conseguira fugir e foram embora.
Logo depois, com os vizinhos ainda ocupando o corredor em frente ao nosso apartamento, o 105, o porteiro achou o invasor: uma ratazana que mais parecia um coelho. Ela cavava a porta porque, provavelmente, sentia o cheiro do jardim na área interna do apartamentoe queria abrir caminho na porta para lá chegar. Imagina se a polícia achasse esse ladrão. Que mico! Ou melhor, que rato!
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